30 de Julho de 2014

Dolce fare niente


Ninguém consegue estar desperto durante o dia todo. Numa semana de trabalho temos de ter os nossos momentos de pausa. Num ano, há sempre umas semanas de ferias. O Homem não consegue absorver a realidade durante o tempo todo. Os deputados já foram de férias. Muitos vão carregar as baterias de litío para o Algarve. 
Eu gosto de aproveitar estes vazios para realizar atividades diferentes. Trabalhar em algo inútil: há alguma coisa melhor do que isto?

29 de Julho de 2014

Acerca da pesca - Parte 1


A pedido de muitos, vou-me dedicar à pesca. E estava a pensar em comprar uma cana. É claro que não tenho dinheiro para uma Sert Sunset Hispex 4,50 mt, a melhor cana de Surf-Casting do Mundo...
Mas como espero ser um pescador amador, com grande potencial, quero ter a melhor cana possível, e por isso preciso de conselhos de todos os meus amigos...

28 de Julho de 2014

Humanidades

"In our society (that is, advanced western society) we have lost even the pretence of a common culture. Persons educated with the greatest intensity we know can no longer communicate with each other on the plane of their major intellectual concern. This is serious for our creative, intellectual and, above all, our normal life. It is leading us to interpret the past wrongly, to misjudge the present, and to deny our hopes of the future. It is making it difficult or impossible for us to take good action."
C. P. Snow

26 de Julho de 2014

Família

Hoje tive um final de tarde interessante: ouvir dizer sobre o meu filho, José Henrique, "o melhor central que por aqui passou na academia". E estas palavras são do técnico do S.C.P., que já não o via desde julho do ano passado.

25 de Julho de 2014

Sobre as limpezas


Como estamos em tempo de férias, o que não é o meu caso, quero deixar aqui um conselho a todos os amigos. Abram as janelas e as portas e façam limpezas. Deitem todo o lixo fora: deixem entrar as novidades. Abram a boca e os olhos: deixem entrar o exterior e sair o interior. Virem-se do avesso. Temos que aproveitar os pequenos momentos de pausa para fazer a limpeza. Um após outro, o grão de pó associa-se e forma uma multidão. A sujidade avança sem perguntar. Sujar para limpar. Para que serviria a limpeza se não estivessem os recantos sujos?
Limpar bem. Esfregar as mais duradouras. Branco e mais branco.
Mas cuidado: ordenhar uma vaca à noite pode colocar-te na presença do famoso leite negro.

24 de Julho de 2014

Acerca da luxúria natural...


A luxuria parece estar historicamente associada à gula e à soberba. Mas nos tempos da modernidade o consumismo veio renovar o conceito, tornando-o mais razoável. A mobilidade voraz determina o desejo de todo o consumidor.
Mas há que regressar ao presente e dizer: ver um morango maduro e vermelho, na horta, parece ser um luxo. É extraordinário o que a natureza oferece. É uma luxuria desigual: só alguns podem almejar comer aquele morango. Uma criança, com toda a certeza. Não se fica pelo olhar para tal objeto de desejo, trata-se do poder de o ter e de o digerir. Tirar o caule verde e saborear, comer.
Mas não criamos morangos, ajudamos a terra a partilhar o que tem de melhor. Não há qualquer luxo em apanhar o morango vermelho, ou aquele outro mirrado ou comido pelas formigas. Aceitamos o que a terra dá. E dá muito trabalho. O trabalho de estar a bem com a terra e com o melhor que podemos esperar dela. E ainda nem conversámos sobre os tomates...

23 de Julho de 2014

Um noite de pesca na Praia dos Pinheirinhos

Praia dos Pinheirinhos / Grândola
Depois de um convite para umas horas de pesca, saímos de Alcácer do Sal ao final da tarde.
Após uma paragem na Carrasqueira, para comprar umas minhocas, dirigimos-nos de imediato para a Praia dos Pinheirinhos.
Ao chegarmos à praia verificámos que o mar não estava sujo e sem grande força, não restando dúvidas que valeria a pena desmontar o material para começar a pescar.
Entretanto, como havia mais alguns pescadores na praia, pensámos que tínhamos acertado. Aquela seria uma bela noite para apanhar uns sargos. 
Convencidos que o peixe por lá andaria, escolhemos os pesqueiros que melhor nos pareciam para pescar naquelas condições. Depois da montagem das cinco canas, iscaram-se com minhoca da Carrasqueira e coreana.
Depois foi esperar!
Os peixes picavam, as canas agitavam-se...
A partir daqui pode ria contar muitas «mentiras» de pescadores e caçadores, mas não será o caso.

Foi sem dúvida uma pescaria para recordar.

Praia dos Pinheirinhos


21 de Julho de 2014

Ver mais longe...


Há místicos que conseguem ver o mar oceano num grão de arroz. Outros, pela simples confissão têm acesso direto ao céu. Ricardo III trocava o seu reino por um cavalo.
Como se vê, os objetos do mundo ativam a imaginação humana. Apesar do comprimento, largura e altura, da forma, cor e volume, os objetos poderiam ser classificados pelo seu potencial para alargar o mundo. Da imobilidade inicial constrói-se uma obra de engenharia racional. De uma simples letra pode-se elaborar um texto. O objeto observado transforma-se num imagem fantasiada.
Um autor que muito prezo, Júlio Cortazar, define esta capacidade de uma forma muito surpreendente. Ver como o "casuar". Olhar para uma pessoa, durante tanto tempo e de forma tão intensa, e criá-la desde o inicio. Uma invenção mental desde o nada ao ser. A origem da atenção. Ver pela primeira vez. Reunir toda a família em redor de um pirilampo para adivinhar o futuro. Uma ligação de liberdade.