30 de outubro de 2010

Eça de Queiroz já era!

"O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha, A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo."

Eça de Queirós

27 de outubro de 2010

Eu gostava de ter vivido no futuro

Se eu ainda me lembrasse daquilo que um dia serei.
Quando há decisões importantes a tomar toda a ajuda é pouca. Recorremos a tudo até às nossas recordações do passado. Todas as nossas experiências anteriores têm a sua importância. Mas tudo isto é pouco comparado com o que o futuro me poderia ensinar.
Quando toda uma vida regressar ao presente algumas decisões foram simples. Tão simples que saberei todas as suas consequências sem conhecer quaisquer das suas causas. Tão simples que conhecerei a finalidade da vida e não a sua origem.
Quem nos ajudará? Ninguém que tenha vivido mas alguém que vai viver!

21 de outubro de 2010

É sempre bem entregue

O dissidente cubano Guillermo Farinas foi escolhido, pelos líderes dos grupos políticos do Parlamento Europeu, para Prémio Sakharov.
Quando é que um de nós receberá este galardão?

20 de outubro de 2010

Uma hora que contém quase duas vidas!

Mil cidades, duas cidades, a mesma cidade. Tudo e todos podem ser em todos os lados. Todas as distâncias se podem percorrer: a pé, de carro, de autocarro. Percorrer ruas, contemplar os edifícios, olhar as pessoas.
Reparei nos olhos tristes da casa de onde vim. Mas imaginei o sorriso nos lábios da casa para onde vou. Passado, presente e futuro.
E a luz do sol que tarda em aparecer ainda não mostra nitídamente a cidade real das casas, das máquinas e das pessoas. A estrada não é perigosa e os passos foram dados com toda a clareza. O percurso pode ser curto mas o tempo é longo e nunca consumido. E o espaço geográfico que impede a simultaneidade de tempos alheios espartilha a física que o corpo habita. Temos de inventar. A expectativa é sempre intensificada pela demora da possibilidade. Está à vista a reciprocidade e o intercâmbio de representações fisícas inerentes ao contacto com o outro.
- O que poderei aprender hoje?
Na vertigem da velocidade o encontro é fugaz. O silêncio do comum no espaço privado. Uma troca de olhares em pleno anonimato. A comunicação nunca é plena mas recortada pela mudança dos tons e das cores. Vários fragmentos são projectados em mil direcções. Resta apenas o texto num novo livro de ponto aberto para o efeito. No fim todos saem. O tempo acaba. Ficamos isolados nas ruínas das nossas construções.
Mas hoje a existência da cidade real é quebrada pela cidade virtual. Novos sujeitos descorporizados podem estender o seu braço num novo espaço concreto. E este encontro interior é uma realidade maior e mais subtil do que o encontro físico.
Quando regressamos ao futuro tudo parece calmo. A realidade é análoga. Tudo pode permanecer idêntico. Os olhares repetem, as máquinas giram e as casas confortam.
A visão do futuro está diante de mim. Só tenho de a informar que as letras e as palavras do texto construído vão ser públicas.
Só o passado tem futuro e o presente é para ser pintado em misturas de cores vivas. Há sempre uma questão a colocar: Queres repetir?
Amanhã, todos os dias lá regressaremos. E o futuro é mais uma vez antecipado... a crédito?

13 de outubro de 2010

Rua!

Já te tinha feito tantos avisos. E sempre fizeste aquilo que quiseste!
Um dia tinha de acontecer...
- Por isso RUA.

12 de outubro de 2010

A coisas não são como deveriam ser!

Quem corrupia pelas bermas desta cidade fica a perceber que o mundo não está bem feito.
Por um lado assistimos á visita de muitos lagostins que saindo do rio Sado acabam por morrer na marginal. Parece que estão perdidos... Será que querem ir a algum lugar?
São às centenas os atropelamentos.
Por outro lado assistimos a um enorme vazio nas diferentes actividades desenvolvidas pelas associações da terra. Parece que estão desaparecidos... Será que podem ir a algum lugar?
São às centenas os lugares vazios.
Talvez tenhamos de dar mais atenção aos lagostins e às pessoas. Podíamos mandar os lagostins, com as pinças em riste, acordar as pessoas. Podíamos mandar as pessoas, de saco em punho, caçar estes crustáceos. Podíamos...
Mas também é verdade que eles, assim como nós, usam uma carapaça para não mostrar aos outros as suas fraquezas internas.

5 de outubro de 2010

Tudo se passa em cada um momento da vida!

Cada um dos momentos da nossa vida é único. Em todos eles colocamos um pouco de nós. Em cada um deles tocamos um bocado de uma coisa, uma minúscula partícula de um mundo «enorme» que está à nossa volta.
Por vezes um movimento, por vezes uma expressão, por vezes uma palavra!
E em cada um que está à nossa frente acontece o mesmo. Cada um olha para o rosto do outro que nos remete para os rostos dos outros. Em cada um estão os outros e todos juntos olhamos o mundo como um todo.
Esta é uma visão não-fragmentada da realidade, em que cada sensação, cada sentimento e cada pensamento se equilibram, se reforçam e se controlam reciprocamente. Todo este movimento, dentro de mim, dá-me uma consciência plena, em todo e cada um dos momentos, do que me rodeia, permitindo-me tomar as decisões consideradas, no momento, certas.
«Um por Todos e Todos por Um»
Isto implica respeito pela vida, onde o Homem e a Natureza formam um conjunto indissociável, interdependente e em constante movimento.
E cada um de nós só pode ser no encontro do outro, só pode ser ao olhar para cada um dos outros, só pode ser em comunhão com Todos. E o todo não é cada um de nós mas algo novo: uma relação conjunta e totalizante na busca da felicidade.
Por isso sejamos autónomos e liberte-mo-nos das nossas próprias grilhetas e das que os outros nos colocaram. Livres viveremos uma vida em cada momento que vivemos.

1 de outubro de 2010

E assim vão os trabalhos e os dias

Desde já quero agradecer a quem me enviou esta fábula deliciosa do Século XXI. E depois apenasdizer que cada um de nós podemos fazer assim várias vezes por semana...

Cliente – Estou!
Volafone – Está? Estou a falar com o senhor Nuno?
Cliente - Sim...
Volafone - Sr. Nuno, como vai? Aqui é da Volafone e estamos a ligar para lhe apresentar a promoção Volafone 1.382 minutos, que oferece...
Cliente - Desculpe (interrompe), mas com quem estou a falar?
Volafone - O sr está a falar com Natália Bagulho da Volafone. Eu estou a ligar-lhe para...
Cliente - Natália, desculpe-me, mas para minha segurança gostaria de conferir alguns dados antes de continuar com a nossa conversa, pode ser?
Volafone - ...Sssssim, pode...
Cliente - A Natália trabalha em que área da Volafone?
Volafone - Telemarketing Pró-Activo.
Cliente - E tem número de funcionária da Volafone?
Volafone - Desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
Cliente - Então terei que desligar, pois não estou seguro de estar realmente a falar com uma funcionária da Volafone.
Volafone - Mas eu posso garantir...
Cliente - Além disso, sempre que tento falar com a Volafone sou obrigado a fornecer os meus dados a vários interlocutores.
Volafone - Tudo bem, a minha matrícula é Volafone-6696969-TPA.
Cliente - Só um momento enquanto verifico.
Cliente - ...??? (Dois minutos mais tarde) - Só mais um momento, por favor.
Volafone - ...??? (Cinco minutos mais) - Estou sim?
Cliente - Só mais um momento, por favor, estamos muito lentos hoje cá por casa.
Volafone - Mas, senhor... (Um minuto depois)
Cliente - Pronto, Natália, obrigado por ter aguardado. Qual é mesmo o assunto?
Volafone - Aqui é da Volafone, estamos a ligar para oferecer a promoção Volafone 1382 minutos, pela qual o Sr. fala 1.300 minutos e ganha 82 minutos e bónus, além de poder enviar 372 SMS totalmente grátis. O senhor estaria interessado, Sr. Nuno?
Cliente - Natália, vou ter que transferir a sua ligação para a minha mulher porque é ela quem decide sobre alteração de planos de telemóveis.

Por favor, não desligue, pois a sua chamada é muito importante para mim...

(Pousa o telemóvel em frente ao leitor de CD´s, coloca uma música «Pimba» a tocar em repeat mode e vai beber um cafézinho...)

E fiquem assim... que tudo pode acontecer até aquele que está do outro lado pode desligar...