29 de julho de 2011

Pequenas diferenças: das Letras às Ciências

"- «Qual é o plural de môlho? mólhos ou môlhos?»
- Ah! minha senhora. Vossa Excelência nunca viu decerto as pobres serranas avergadas sob os mólhos de lenha, galgando atalhos, pisando tojos… Vossa Excelência saboreia os seus deliciosos môlhos, se é que os não saboreia também algum Cavaradossi da Rua dos Fanqueiros.
Os mólhos pesam, os môlhos sabem bem (...)."

Cândido de Figueiredo

28 de julho de 2011

Irmãs Gémeas...

Poderíamos indicar mil razões para harmonizar a matemática e a filosofia.
Elas simbolizam a tentativa racional para compreender o mundo à nossa volta. Elas nasceram na Grécia Antiga e, desde então, sofreram profundas transformações.
E, mais importante, a matemática sempre foi um caso de estudo importante para a Filosofia.

26 de julho de 2011

O processo geral de compartimentação das instituições académicas

Quem anda na escola constata uma enorme especialização em todas as áreas do saber...
Os artistas e os cientistas, os matemáticos e os filósofos, actualmente, têm enormes dificuldades em explicar e compreender o trabalho dos seus colegas nos próprios departamentos.
Historiadores que não conseguem seguir os desenvolvimentos das culturas ibero-americanas; o trabalho em filosofia da matemática que se torna incompreensível para a maior parte daqueles que trabalham a Axiologia e a Ética.
E depois...
Depois,não há uma ligação clara e racional entre as Ciências e as Letras...

25 de julho de 2011

Atracção de Opostos?

Ao longo da história, muitos filósofos têm tido uma atracção irresistível pela matemática.
Diz-se até que na entrada da Academia de Platão estava escrito: “Aqueles que não sabem Geometria não podem entrar”. Ora...
De acordo com a filosofia platónica, a matemática é uma forma apropriada para compreender o Universo, tal como ele é... Veremos!

21 de julho de 2011

Espaços de Humanidade e de Solidão


Numa pequena aldeia perto de um lago rodeado por montanhas, um homem solitário vive num quarto sóbrio. Tem uma cama, uma mesa pequena com um lavatótio, e uma mesa maior entre um banco simples e uma cadeira de madeira. Quando a enxaqueca não o obriga a ficar na cama durante o dia, faz longos passeios nos bosques e junto aos lagos. Na sua solidão, Nietzsche escreve, à noite, à luz de um candeeiro de petróleo: anotações, cartas. A 2 de Julho de 1885 escreve a um amigo distante: " A época actual é tão imensamente superficial que por vezes me envergonho de ter dito tantas coisas em público as quais em circunstância alguma, mesmo em tempos muito mais valiosos e profundos, deviam ter sido tornadas públicas. Este século de 'liberdade de imprensa, favorável à insolência', corrompeu o gosto. Mas faço-o seguindo o exemplo de Dante e Espinosa, que estavam bem mais preparados para a solidão. Obviamente, a sua maneira de pensar era, ao contrário da minha, mais ajustada para suportar a solidão, e afinal quem tem ainda 'Deus' por companhia, nunca conhecerá a solidão que eu sinto." Olha através da pequena janela mas devido ao muro de escuridão vê apenas o seu próprio reflexo. Mergulha a caneta no tinteiro e acrescenta mais uma frase: " A minha vida consiste agora no desejo de que todas as coisas possam ser diferentes do que eu julgo que são, e de que alguém possa demonstrar-me que as minhas 'verdades' são improváveis."



Rob Riemen, Nobreza de Espírito

20 de julho de 2011

Objectos de Letras!

Lembram-se destas Obras?
A "Ilíada", de Homero, "A República", de Platão, "A Eneida", de Virgílio, "Os Lusíadas", de Camões, o "D. Quixote", de Cervantes, "A Divina Comédia", de Dante, o "Discurso do Método", de Descartes, e .....

19 de julho de 2011

E as pessoas das Letras vão para Ciências...

E como os «bons rapazes» fazem fila para Ciências então os «rapazes da vida» deixam as Letras e vão também para Ciências... sem obrigação e depressa!
Estes últimos não vão ficar a olhar, especados, para cima... para os rapazes das ciências. Olhar de baixo para cima não faz parte das Letras. As Letras querem olhar os outros de frente... nem que vão para Ciências. Não há Letras pequenas, mas sim e apenas pessoas iguais, evidentes, claras e distintas.
E assim, as Letras «encerram para férias». O último a sair que desligue a luz. Sem materiais não se pode fazer a obra.
Mas as Letras, as verdadeiras Letras, sabem o que precisam: tempo, espaço e processos que acelerem as partículas espirituais e modelos de trabalho «sem uniforme».
E... pessoas que privilegiem um ensino da escrita tendo em vista o domínio multifuncional desta competência, transversal e crucial para o sucesso na escola...
Conclui-se, portanto, que as verdadeiras Letras não fugiram. Esperam por um melhor tempo... e as pequenas Letras... foram para Ciências.

17 de julho de 2011

Poema Matemático (Ciência Geral)

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

(Anónimo)

15 de julho de 2011

Os «bons rapazes» já não vão para Letras

Mas não lhes fica nada bem...
Muitas das alterações sucessivas no curriculum conduziram a resultados interessantes.
Interessante porque se multiplicam resmas de textos bem construídos e muito bem escritos sobre o valor sustentável das «verdadeiras» coisas a tratar. Ou seja, assim como há as estações do ano, a sucessão das noites e dos dias, da Paz a seguir à Guerra e da Vida a seguir à morte, também há, higienicamente, um coro trágico a lembrar a Ciência ao invés das Letras esquecidas.
É interessante também ver os «bons rapazes», os «bons Portugueses», de mãos dadas, a fazerem uma peregrinação até à escola, símbolos da morte das Letras, a partir o bico da caneta enquanto fazem a sua inscrição nas ciências.
Enfim, todos sabemos que os «bons rapazes» vão para Ciências e já não vão para Letras..., e que os outros membros da comunidade promovem lutas fratricidas por uma vaga em Economia...
Assim é que é... Diz o progresso!

São todos diferentes e todos iguais...

Afinal são tão diferentes...
... a diferença entre este Governo e o outro é que...
... o anterior teve uma «TroiKa» internacional que certificou e credibilizou as contas apresentadas pelos "santos da casa"....
... e este governo pede aos "santos da casa" que certifiquem e desvalorizem as contas da «Troika»...
Afinal são tão iguais...

13 de julho de 2011

Os riscos pessoais e sociais da Ciência

«Ao promover o capitalismo, o Estado produziu ou sancionou muitos dos riscos sociais (fome, desemprego, criminalidade, doença, falta de habitação) que, paulatinamente e por acção de múltiplas lutas sociais, foi chamado a prevenir ou a atenuar nas suas consequências mais corrosivas. O Estado-Providência culminou esse processo de gestão controlada de riscos sociais. Por seu lado, ao converter-se em tecnologia e à medida que a tecnologia foi penetrando em mais áreas da vida social, a ciência passou a estar na origem dos riscos da chamada "sociedade tecnológica" e foi igualmente à ciência que se foi recorrendo mais e mais para encontrar soluções de eliminação ou de contensão dos riscos produzidos. O desenvolvimento destes processos levou a uma vinculação recíproca entre o Estado e a ciência. O Estado recorreu cada vez mais à ciência para proteger contra os riscos e, no processo, a ciência politizou-se. Ao contrário do que muitos previram, desta vinculação recíprocra não resultou uma mais eficaz protecção contra os riscos. As três últimas décadas são amplo testemunho disso.

Ao promover a passagem do capitalismo nacional para o capitalismo global, o Estado aumentou a sua capacidade de produzir riscos sociais na mesma medida em que perdeu capacidade para proteger contra eles. Por seu lado, o extraordinário avanço tecnológico veio revelar uma debilidade estrutural da ciência: o facto de que a sua capacidade para produzir novas tecnologias é imensamente superior à sua capacidade para prever as consequências sociais dessas tecnologias. Entramos, assim, num novo milénio com um Estado enfraquecido na sua capacidade de protecção e com uma ciência cada vez mais incerta a respeito das suas consequências. Para tentar disfarçar as suas incapacidades recíprocas, o Estado e a ciência procuram vincular-se mais e mais um ao outro, desculpando-se um com o outro. Assim, o Estado fraco é cada vez mais científico e a ciência incerta é cada vez mais política. As ilustrações deste fenómeno inquietante abundam: as vacas loucas, os organismos geneticamente modificados, o "impacto" ambiental, as radiações de urânio empobrecido, os riscos para a saúde pública da co-incineração de resíduos industriais perigosos, etc., etc.»


Boaventura De Sousa Santos

10 de julho de 2011

Haverá arrogância das Letras em relação às Ciências?

Muitas das pessoas que reflectem sobre as Letras desconhecem mais o mundo das ciências do que o inverso.
Sabendo elas que existe um certo «predomínio» da «cultura literária» sobre a «cultura científica» permanecem num impasse.
Muitas das pessoas vindas da área das ciências podem discutir, de igual para igual com alguém das Letras, sobre filosofia, literatura, relações internacionais ou sociologia, mas....
Por causa dessa sonolência, a generalidade das pessoas de Letras tem alguma dificuldade em discutir os termos fundamentais de uma qualquer ciência contemporânea.

7 de julho de 2011

Palonços e Pardais...

«Desastrosa foi a tendência que levou ao predomínio da “investigação” na Universidade. Daí resultou a eliminação do principal: a cultura. Além disso, fez com que não se cultivasse o propósito de educar profissionais ad hoc. Nas Faculdades de Medicina aspira-se a que se ensine fisiologia hiperexacta, química super-rebuscada; mas ninguém se ocupa a sério a pensar o que é hoje um bom médico, qual deve ser o tipo, o modelo do médico actual. A profissão, que depois da cultura é o mais urgente, fica à mercê de Deus. E o prejuízo que esta confusão acarreta é recíproco.
O pedantismo e a falta de reflexão têm sido os grandes agentes deste vício de “cientificismo” de que a Universidade padece. Qualquer palonço que tenha estado seis meses num laboratório ou seminário alemão ou norte-americano, qualquer pardal que tenha feito uma descoberta “científica” é repatriado convertido num novo-rico da ciência, num “parvenu” da investigação; e sem pensar um quarto de hora na missão da Universidade, propõe as reformas mais ridículas e pedantes. Em contrapartida, é incapaz de ensinar a sua “cadeira” porque nem sequer conhece integralmente a disciplina!
Um dos males resultantes da confusão entre ciência e Universidade foi o de entregar as “cadeiras”, segundo a mania do tempo, aos “investigadores”, os quais são quase sempre péssimos professores, que sentem o ensino como um roubo de horas feito ao seu trabalho de investigação».

Ortega y Gasset

6 de julho de 2011

A Tarefa de Libertação

«A tarefa dos nossos dias é trazer à superfície, no jogo de forças entre as diversas e mais importantes tendências da pesquisa, uma nova combinação, um novo equilíbrio que nos transporte, por fim, a novas compreensões do Homem, em si mesmo, que honre o nome ‘Ciências Humanas’”».

GADAMER, Hans-Georg

5 de julho de 2011

Das Letras que afirmam o mundo das Ciências

Como sabem, já estamos habituados a viver no melhor dos mundos possíveis. E mesmo sabendo que só alguns vivem nesse estado de benesses, da ciência e da tecnologia, continuamos a ter medo de um futuro sombrio de total controle tecnológico.
Oscilamos mas continuamos atentos. A miséria e a maravilha é encarada de forma calculada e sentimental.
Mas o que é viver no mundo da ciência?
Como diz, há muitos anos, M. Heidegger:
«Vivemos numa época estranha, singular, inquietante. Quanto mais a quantidade de informações aumenta de modo desenfreado, tanto mais decididamente se ampliam o ofuscamento e a cegueira diante dos fenómenos. Mais ainda, quanto mais desmedida a informação, tanto menor a capacidade de compreender que o pensamento moderno se torna cada vez mais num cálculo cego».
Será que o Homem, a verdadeira essência do Homem, vai sucumbir neste percurso?

4 de julho de 2011

De Letras e de Ciências...

Desde que Galileu afirmou que o livro do mundo estava escrito em linguagem matemática, a associação entre os termos Matemática e Ciência tornou-se cada vez mais constante, até adquirir um carácter proposicional. Isto significa que tal associação foi deixando de ser questionada, até se tornar algo adquirido, inquestionável e, por isso mesmo, longe da clareza de outras investigações.
Sem dizer mais nada.
Nas próximas publicações vou dedicar o meu tempo a escrever algumas letras sobre as Letras e as Ciências...
Quem quer Letras? Hummm.. vão todos para Ciências?
Veremos!

2 de julho de 2011

Apagar a informação dos computadores

Chegar ao trabalho e ter toda a informação do seu computador apagada não parece útil...
Dizem que foi isso que aconteceu aos funcionários dos gabinetes dos ministérios da Economia e Finanças na semana que antecedeu a tomada de posse do novo Governo, revela o jornal «i»...
Mas para que é que se apagam as informações?
O nosso computador possui uma série de arquivos que são registados diariamente para armazenar: informações de sistema, cookies, registros de programas instalados/desinstalados, dados de backup, históricos de mensagens instantâneas, etc. Portanto, é provável que o PC comece a ficar lento e demore a iniciar e/ou a carregar o software.
Sendo ainda importante ressalvar que muitos dados desnecessários são guardados num PC e isso diminui muito o desempenho dele.
Limpar um PC é um modo eficaz que optimiza o sistema e remove os arquivos não necessários do computador, tornando o Sistema Operacional muito mais rápido e recuperando espaço valioso no disco rígido.
Assim a máquina fica mais rápida e livre de todos os entraves do passado...
Aproveitem...

1 de julho de 2011

Mais uma descoberta em Alcácer do Sal...

Foi encontrada por uma equipa de cientistas a mais antiga sepultura, da Europa, dedicada ao cão.
Data de há 8000 anos e esta é a primeira prova que, em Alcácer do Sal, já se fazem rituais da morte e enterramento do cão desde esses tempos.
O melhor amigo do Homem já é domesticado há milhares de anos mas só agora se confirma que essa amizade ia para além da própria morte desde esses tempos.
A descoberta aconteceu nos Concheiros de S. Bento, Alcácer do Sal, datando de há 8000 anos, o que a torna a mais antiga do Sul da Europa.

A sepultura de um cão, que foi descoberta numa antiga necrópole, mostrava, pela organização e tratamento, que “o ritual de enterrar o cão não era feito à toa, de qualquer maneira, tinha um significado especial”, refere Mariana Diniz da Universidade de Lisboa, uma das responsáveis pelo projecto, em declarações à Lusa.

E é esta Alcácer que nos pode trazer o futuro... para além da miserável crise!