29 de agosto de 2011

Génio, precisa-se...

Uma das ideias mais inquietantes, aprovada pelas maiorias, é que os génios são loucos. E isto significa que são seres com atitudes estranhas, comportamentos esquisitos e até com um perfil moral diminuto...
Mas esta é uma ideia que me preocupa. Como é que os que são verdadeiramente inteligentes, aqueles que elevaram a humanidade acima do animal selvagem, se apresentam como (in)humanos que num último confronto com a natureza tentam ir mais longe do que o permitido, criam a desordem na ordem, o caos num mundo organizado e um desconcerto supremo na engrenagem celeste.
Nada disto é lisonjeador para a natureza humana. Mas mais uma vez precisamos de um pateta genial que, com atitudes suficientemente bizarras, substituia um paradigma decadente por estado de esperança.
Que apareça, pois, um novo génio...


22 de agosto de 2011

16 de agosto de 2011

Os 10 mandamentos de Maquiavel

Numa daquelas conversas do dia a dia, que convidam à reflexão sobre alguns aspectos políticos da nossa vida hoje, surgiram algumas referências aos dez mandamentos de Maquiavel.
Por vezes ninguém acredita. e mesmo sem dar a certeza mandei que aprendessem através de uma pesquisa no google.
E como eu percebi, só nesse momento, que há público para estes ensinamentos resolvi adiantar, neste espaço, mais algumas informações.
Mas antes de mais... quem foi o tal Nicolau Maquiavel?
Foi, segundo rezam as crónicas, um notável escritor e político italiano (1469-1527) que teve a brilhante ideia de escrever os tais 10 mandamentos que ficaram célebres. E porque será? Já vão perceber porquê.
Eu li-os com redobrada atenção e sabem que.... facilmente, consigo, sem grande esforço, elaborar uma extensa lista de «políticos» que os cumprem à risca...
Aqui vão:
«1 - Zelai apenas pelos vossos interesses.
2 - Não honreis a mais ninguém além de vós.
3 - Fazei o mal, mas fingi fazer o bem.
4 - Cobiçai e procurai fazer tudo o que puderdes.
5 - Sede miseravéis.
6 - Sede brutais.
7 - Lograi o próximo toda vez que puderdes.
8 - Matai os vossos inimigos e, se for necessário, os amigos.
9 - Usai a força em vez da bondade ao tratardes com o próximo.
10 - Pensai exclusivamente na guerra.»

12 de agosto de 2011

Inutilidades...

Os nossos pais têm sempre razão. Um dia encontraremos a nossa «Pedra Filosofal»!
Eu encontrei a minha no meu mundo interior, no pensamento, nos meus encontros com os outros, no meu trabalho. Passar a vida a olhar para o que ou outros olham e ver o que imagino foi a minha salvação.
Claro que é verdade. Claro que os mundos que eu visito ao sabor das minhas leituras podem muitas vezes ser julgadas pueris ou inúteis e muito distantes das preocupações do dia a dia.
Mas, quando penso naquelas pessoas que me acusam de ser inútil (no que eles julgam ser útil), então, quando estou ao lado delas, não tenho apenas o prazer de mostrar que sou inútil, mas também que tenho o desejo de ser inútil.
É útil que assim pensem já que se vão surpreender. Espanto inútil e trágico.

10 de agosto de 2011

Mostrar o mundo à nossa volta...

Quando se pretende representar alguma coisa temos de trabalhar para mostrar, também, as centenas de relações que essa parcela do mundo tem com todas as outras.

E se procuramos um entendimento dessa intrincada teia de relações temos de usar os diferentes mecanismos Lógico-Matemáticos, entre os quais, a comparação, a implicação, a oposição... da mesma maneira que qualquer pessoa tenta fazer dos seus factos do quotidiano. Simples compreensão humana.

E ainda que as centenas de «mundos» ligados ao primeiro facto inicial sejam deprimentes, contraditórios ou simplesmente in-humanos, as relações não o são e o labor da busca desses filamentos, que nos unem, não o são nem o serão nunca.

Muito trabalho temos diante da Humanidade! Nem que seja para contar as moedas, que não existem, de um saco platinado cheio bugigangas parfois.

9 de agosto de 2011

O Senhor Juarroz

Precisei apenas de uma tarde para ler este maravilhoso livro.
Ler embalando o pensamento...
«O senhor Juarroz gostava de organizar a sua biblioteca de maneira secreta. Ninguém gosta de revelar segredos íntimos. O senhor Juarroz primeiro organizara a biblioteca por ordem alfabética do título de cada livro. Rapidamente, porém, foi descoberto. O senhor Juarroz organizou depois a sua biblioteca por ordem alfabética, mas tendo em conta a primeira palavra de cada livro. Foi mais difícil, mas ao fim de algum tempo alguém disse: já sei! A seguir o senhor Juarroz reordenou a biblioteca, mas agora por ordem alfabética da milésima palavra de cada livro. Há no mundo pessoas muito perseverantes, e uma delas, depois de muito investigar, disse: já sei! No dia seguinte, assumindo este jogo como decisivo, o senhor Juarroz decidiu arrumar a biblioteca a partir de uma progressão matemática complexa que envolvia a ordem alfabética de uma determinada palavra e o teorema de Godel.
Assim, para estranheza de muitos, a biblioteca do senhor Juarroz começou a ser visitada, não por entusiastas da leitura, mas por matemáticos. Alguns passaram tardes a abrir os livros e a ler certas palavras, utilizando o computador para longos cálculos, tentando assim encontrar a todo o custo a equação matemática que desvendasse a organização da biblioteca do senhor Juarroz. Era, no fundo, um trabalho de descoberta da lógica de uma série, semelhante a 293093 Pois bem, passaram dois, três, quatro meses, mas chegou o dia.
Um reputado matemático, completamente vermelho e eufórico, segurando, na mão direita, num bloco gigante coberto de números, disse: já sei!, e apresentou depois a fórmula de progressão da série que baseava a organização da biblioteca. O senhor Juarroz ficou desanimado e decidiu desistir do jogo. Basta!
No dia seguinte pediu à sua esposa para organizar a biblioteca como bem entendesse. Por ele estava farto.
Assim foi. Nunca mais ninguém descobriu a lógica da organização da biblioteca do senhor Juarroz.»



Gonçalo M. Tavares

8 de agosto de 2011

Um Homem: Klaus Klump

O interesse por Gonçalo M. Tavares é recente e destruiu mais uma das minhas barreiras literárias. Preconceitos à parte, nem lia livros de autores portugueses, nem livros escritos por mulheres nem livros de autores vivos.
No livro Um Homem: Klaus Klump, o autor apresenta uma situação de guerra e com ela parte para o esmagamento das suas várias personagens: um nada contraditório que as vai descarnando.
«A bandeira de um país é um helicóptero: é necessário gasolina para manter a bandeira no ar; a bandeira não é de pano mas de metal: abana menos ao vento, frente à natureza É assim que começa o livro com centenas de pensamentos sobre os homens, sobre a guerra e sobre a forma dos estados.
Texto repetido em que se busca uma continuidade difícil. Frases soltas que nos deixam sondar muitas possibilidades de futuro.
E o final tem se se tornar impossível. Nunca se poderia imaginar o regresso ao mesmo. Mas é mesmo assim: «Ninguém ama um cobarde e isto só significa que enquanto se ama não se consegue ver no outro a cobardia
Amanhã vou falar d´O Senhor Juarroz

3 de agosto de 2011

A vulgar folha seca da hera...

A ciência pretende construir explicações para tudo. E este «tudo» também contém dentro de si, por exemplo, o maravilhoso.
O que podemos dizer em contrario... parece que o problema é colocado mesmo assim!
Mas reparem: se aceitarmos o pressuposto da conquista absoluta da realidade o maravilhoso, o fantástico volta através dos mais passageiros objectos. O «milagre» acontece ao vermos uma pequena gota de água do mar a correr pelo braço abaixo, uma barulhenta folha seca de hera empurrada pelo vento de verão.
E todos aqueles que ficam emocionados, com estes minúsculos seres em desintegração, esquecem a ciência e a consciência e desembarcam em terrenos novos e desconhecidos.
Só aqueles que respeitam a sua humanidade podem ouvir o que está para além da ciência!

2 de agosto de 2011

Palavras Inesperadas, Julio Cortázar

« (...) Ser professor significa estar na posse dos meios conducentes à transmissão de uma civilização e de uma cultura; significa construir no espírito e na inteligência (...) o panorama cultural necessário para capacitar o seu ser no nível social contemporâneo e, simultaneamente, estimular tudo o que há de belo, de bom, de aspiração à total realização (...). Dupla tarefa, portanto: a de instruir, educar e a de dar asas aos anseios que existem, embrionários, em toda a consciência nascente. O professor estende-se para a inteligência, para o espírito e, finalmente, para a essência moral que repousa no ser humano. (...) deve ainda assim cumprir a profunda viagem para o interior desse espírito e dele regressar, trazendo, para maravilha dos olhos do seu educando, a noção de bondade e a noção de beleza: ética e estética , elementos essenciais na condição humana.
Nada disto é fácil. (...) O homem é inteligência mas também é sentimento, e anseio metafísico, e sentido religioso. O homem é um composto; da harmonia das suas possibilidades surge a perfeição. Por isso ser culto significa atender ao mesmo tempo a todos os valores e não meramente aos intelectuais. Ser culto é saber sânscrito, se quiserem, mas também maravilhar-se diante de um crepúsculo; ser culto é encher fichas acerca de uma disciplina que se cultiva com preferência, mas também é emocionar-se com uma música ou um quadro, ou descobrir o íntimo segredo de um verso ou de uma criança. Talvez se percebesse melhor o meu pensamento decantado neste conceito de cultura: a atitude integralmente humana, sem mutilações, que resulta de um longo estudo e de uma ampla visão da realidade.
Assim tem de ser o professor. (...)»

1 de agosto de 2011

Essências...

«Ninguém se conhece a si mesmo sem ter bebido a ciência alheia em intermináveis horas de leitura e de estudo; e ninguém conhece a alma dos seus semelhantes sem primeiro assistir ao deslumbramento de se descobrir a si mesmo.»

Julio Cortázar