30 de outubro de 2011

Hora de inverno

Não fiquei espantado que o iPad tenha actualizado imediatamente a nova hora de inverno.
Mas ainda vou ficando espantado que o sino da igreja dê as badaladas certas. Como se o vento tivesse mãos para acertar as horas de ouvido...

26 de outubro de 2011

Nem crise nem recessão



Hoje fui almoçar a um excelente restaurante em Santa Catarina de Sítimos. A comida estava divinal. A cozinheira foi excelente. O ambiente saudável era espirituoso.

Para entrada queijo de cabra curado e banha de porco do cozido a meias com um pão do Torrão. Os convivas iam entrando. De todas as idades. Homens há muito habituados a viver da terra. Vão fazendo contas à vida. A chuva da manhã tinha juntado alguns deles junto a um telheiro os quais, sem poderem iniciar a jorna, foram mastigando uns figos secos e bebericando uma aguardente de pêro.
Grão com mão de vaca numa mesa corrida para treze. Vinho tinto alentejano produzido por um casal holandês.
Afinal só participaram dez convivas mas o final foi o mesmo. O tacho da comida foi embora e apenas restaram umas couves do cozido de alguém que queria «algo diferente».
Falou-se um pouco de tudo. Conversas sobre vacas, ovelhas e galinhas. Se a chuva veio para ficar. Todos queriam vender um animal para a arca.
A crise também apareceu lá no Telejornal. Víamos o que ia acontecendo e comentávamos como quem não quer saber.
- Será que o meu rebanho dura todo o inverno?
Depois de umas sobremesas doces e escorregadias provou-se a aguardente da casa e esperou-se que a chuva passasse. O que poderíamos fazer?
Admiramos os Gregos que são amigos e trabalhamos para voltar a estar todos juntos outra vez. Nem crise nem recessão.

24 de outubro de 2011

Privado VERSUS Público


Meus caros leitores:
Esta história, enviada por email por uma amiga, é elucidativa e não resisti a publicá-la...

«Trabalho no privado e ganho 475€ na folha de ordenado e por "baixo da mesa" recebo da Empresa onde trabalho mais 1200€ em papel moeda. Tenho direito a automóvel da Empresa de alta cilindrada e envelopes mensais recheados com 300 € para gasóleo.
Tenho ainda direito a almoço completo no bar da Empresa com grande variedade e qualidade pagando apenas uma senha no montante de 1 € por dia.
Quando vou à Caixa de Previdência, marcar uma consulta estou isento de taxa moderadora, porque na minha folha de ordenado apenas aparecem os 400€.
Esta é a realidade de milhares de trabalhadores portugueses!
A minha esposa que tirou um curso superior, trabalha na função pública com horário oficial das 09 às 17h. Nunca consegue sair antes as 19:30 horas, sem ganhar um cêntimo que seja, dado que do quadro de 6 funcionários 3 foram aposentados e não foi colocado mais nenhum!
Ganha 800 €uros, já com subsídio de refeição incluído, desconta
mensalmente 150€ de I.R.S; 50€ para a Caixa Geral de Aposentações, 25€ para a ADSE, 10€ para uma verba que se destina ao pagamento futuro do funeral (comum a todos os funcionários públicos), e outros mais descontos que não me lembro.
Feitos os descontos fica com 565€ "limpos", dos quais ainda retira 58€ mensais para o passe e gasta cerca de 5€ diários para almoçar de pé ao balcão de um café.
Trabalha num Edifício público degradado, a manusear pastas de
documentos cheias de pó onde circulam baratas ratos e outras pragas, e com computadores e sistemas informáticos do século passado, sempre a encravar. Atende dezenas de cidadãos por dia portadores das mais diversas doenças infecto- contagiosas e tem a seu cargo assuntos de muita responsabilidade.
Há dois anos que o Sócrates lhe congelou o ordenado e não preenche o quadro de pessoal, no entanto, os inspectores do serviço, aparecem a cada passo em cena, de forma prepotente a dizer que o trabalho devia estar mais em dia!
Quando a minha esposa vai à Caixa de Previdência marcar uma consulta paga taxa moderadora.
Se for a um médico da ADSE de descontos obrigatórios, paga a
totalidade da consulta, e largos meses depois, recebe uma pequena
percentagem do que pagou.
Todos os dias no serviço "ouve bocas" dos utentes contra a função
pública, que imaginam ser um "mar de rosas".
E vocês neste cenário socratista, gostariam de ser funcionários
públicos? Eles é que são os parvos que pagam os impostos na totalidade e sustentam o país!
É claro que eu com o que ganho por fora, comprei um seguro de saúde a uma Companhia de Seguros, e vou aos médicos que quero!
Sou um "coitadinho" do privado que só ganho oficialmente 400€, tinha direito a isenção de taxa moderadora, mas mesmo assim não estava para esperar 6 anos por uma consulta, que com a saúde não se brinca!
Quando a minha esposa chega a casa vem exausta de um trabalho, que se fosse num privado, aparecia o IDICT e a ASAE e encerravam de imediato a porta por falta de condições!
Quando o Sócrates atacava a função pública, era apenas música para analfabetos que apenas possuem orelhas!»

Não sei quem escreveu este texto, mas devemos agradecer, por expor grandes verdades da nossa realidade... 

21 de outubro de 2011

Aquilo que realmente não vemos!

As coisas mais importantes e misteriosas da nossa vida não são fabricadas e embaladas numa qualquer indústria, como se fossem latas de salsicha em miniatura. Os factos realmente marcantes não trazem o prazo de validade à vista,  daí ser tão difícil dizer ao certo o dia em que começam ou acabam.
Quem olha ao seu redor, vendo quem corre ao desvario,  está sempre de olhos vendados para o que a vida realmente mostra.
Aprendemos a tactear com os olhos, procuramos agarrar o sentido das imagens e  simplesmente estamos condenados a construir a memória do que não foi testemunhado.
Por outro lado, também os que nos rodeiam têm os olhos tapados para ver, precisamente, quem os vê.
Uma imagem desconhece sempre o rosto dos seus espectadores.
Todos queremos conhecer quem e o que nos rodeia mas deles apenas ficamos com sinais sem nome escondidos em lugares secretos.

19 de outubro de 2011

Diogenes também tinha um cão


Diógenes, o grande filósofo cínico dos  séculos V-IV a.C. dizia ao colossal conquistador Alexandre Magno para não lhe fazer sombra. 
Exigia, pois, o gozo do sol. O filósofo que que sempre desprezou de forma ostensiva os ricos, os poderosos e as convenções sociais era apenas um mendigo que queria gozar o sol. E tal atitude terá deixado estupefacto o Grande Alexandre que tentara ser prestável do alto do seus poderes imensos ante alguém necessariamente menor. Mas para ele tudo o mais não passava de vento e passageiro e dessa perspectiva ainda temos muito que aprender...
E esta famosa acção de Diógenes, algo confrangedora na ressaca consumista Grega dos tempos que correm, talvez escape aos seus arruinados descendentes, mas o exemplo do cínico que mendigava junto às estátuas é-lhes provavelmente mais próximo. 
Sempre que pedia Diógenes dirigia-se às estátuas inertes e silenciosas pois que, afirmava, era coisa que o habituava ao "não" e "toma lá nada" como exemplos da dádiva e compreensão do dia a dia. 
Dos cães que sempre acompanharam o filósofo sobra ainda agora a ironia da presença destemida nas manifestações no centro de Atenas de "Loukanikos", o último em linha da estirpe de rafeiros impenitentes que sempre ladraram à desordem que é lei das mulheres e dos homens. 
Os gregos têm a sombra de Diógenes cada vez mais por perto...
Mas eu penso que merecem o nosso respeito e uma demonstração clara que estamos com eles e que somos como eles: civilização Ocidental.

18 de outubro de 2011

Foto com 18.000 homens tirada em 1918


É incrível que esta foto, tirada há tantos anos,  ainda exista! 
Esta foto foi tirada em 1918. 
Acampamento de treino de Camp Dodge, Iowa. 

17 de outubro de 2011

Escutem: o que nos dizem não é a realidade!


No campo da filosofia da linguagem já se conseguiu provar que a função de uma palavra não se resume à sua capacidade de referir uma coisa que existe no mundo. A palavra pode, agora, ser entendida como um instrumento de referência ou entendida como um instrumento de significação.
Basta observar uma criança. Ela aprende a falar atribuindo, precisamente, um conjunto rígido de sons a um objecto concreto que lhe desperta curiosidade ou afecto ("papá", "mamã", "ão ão", "papa", etc.). Mas depressa se vai habituando a utilizar as mesmas palavras em sentidos diferentes. Pensa-as sem objecto.
Penso que seríamos mais rigorosos se formulássemos o problema do seguinte modo: uma palavra refere sempre uma coisa que existe no mundo mas, uma palavra, pode também ser pensada separada da realidade. Uma palavra por si só não tem valor nenhum. Apenas associada tem valor. Há quase sempre "aquilo" a que uma palavra se refere. Mas a palavra tem vida própria.
O que caracteriza a linguagem não é apenas referencial e por isso temos a faculdade de a pensar e re-pensar. A in-coincidência discurso-objecto é por isso um dado essencial e a linguagem poderá encerrar um suposto mundo estável, indiscutível,  que no limite se impões como verdade-tirana.
O domínio da linguagem passa a ser probabilístico e não a lógico.
Os nomes das coisas deixam de estar cristalizados.
Mesmo que estejamos apenas reunidos, ao sábado, à volta de uma mesa carregada de «minis» a dizer meia dúzia de disparates, estamos a tentar construir a possibilidade de relações afectivas. Escolher o que se diz, o que se não diz, o que se diz literalmente, o que se diz com o olhar, etc.
E a verdade de uma frase é um conjunto infinito de mundos possíveis nos quais a frase é verdadeira. Permite tanto formular hipóteses científicas como juras de amor eterno, permite construir promessas aos eleitores ou sonhar com o Paraíso.
Naturalmente... É pela linguagem que nos enganam. A mentira consciente está por aí em abundância. 
Triste sina a nossa. Construímos a arma perfeita. Mas essa arma, a palavra, é usada para nos enganar. E nós acreditamos.
Aquilo que estamos a viver realmente, só se passa na Grécia. E dessa teremos de fugir.
Viva a Grécia... Aquela que inventou a palavra em democracia!

14 de outubro de 2011

Comunicado


Caros amigas e amigos:

Não preciso de vos dizer que vivemos momentos da maior gravidade. Todos (...) estão a sentir nas suas vidas os efeitos de um terrível estrangulamento financeiro da nossa economia.para cumprir as suas funções básicas (...).
Assim, informo que a partir deste momento não irei oferecer prendas de Natal a ninguém, folar da Páscoa, assim como quaisquer presentes de aniversário. Deixarei de trabalhar no meu computador e ou imprimir qualquer folha para a Escola. Pautas, grelhas, actas, testes, planificações....
Se o meu plafond terminar terminou. Deixarei de imprimir e fotocopiar mesmo que isso implique a não realização de funções básicas!
A partir de agora os materiais de trabalho passarão a ser requisitados; livros, canetas, lápis e papel...
Como a Internet não é uma necessidade ela será desligada. Deixarei de ter e-mail. Não acederei ao Moodle...
..................
No início do próximo ano, e em função da volatilidade da situação, outros cortes irão ser feitos e anunciados em devido tempo...
Esta medida é temporária e vigorará apenas durante (...) o tempo que eu julgar necessário. A gravidade da situação assim o exige. Mas também o exige a grandeza do propósito.

Obrigado pela compreensão.

* O texto em itálico é retirado do discurso de Pedro Passos Coelho, de 13-10-2011.

12 de outubro de 2011

Um dia recuperarei esta mensagem... Tenho a certeza!


"Alguma coisa está agora a acontecer. O que é, não é exactamente claro. Mas podemos, finalmente, estar a assistir ao nascimento de um movimento popular que, ao contrário de outros, está irritado com as pessoas certas."

Aquilo que acabaram de ler é o comentário do economista norte-americano Paul Krugman (Prémio Nobel da Economia de 2008), acerca do recente movimento «Occupy Wall Street».
Este movimento surgiu no centro financeiro de Nova Iorque mas rapidamente se alargou a outras cidades dos Estados Unidos e manifesta-se contra a ausência de repercussões legais sobre os responsáveis e beneficiários da crise financeira e económica em todas as partes do mundo e particularmente na Grécia e na Europa.
Em resumo, eles exigem medidas contra quem, detendo o poder, agiu de forma errada. Querem que a gula financeira e empresarial seja abolida!

Penso que havemos de ouvir falar, repetidamente, deste "pequeno" movimento. 

10 de outubro de 2011

Será que o IVA dos livros vai aumentar?


Se o próximo Orçamento do Estado contemplar uma subida do IVA para os livros (que está nos 6%), a maioria dos portugueses, já em grandes dificuldades económicas, arrisca a nunca mais ler.
E depois, que tal criar um novo Plano Nacional da Leitura?
Contradições...

7 de outubro de 2011

Nobel da Literatura

Tomas Tranströmer, 80 anos, poeta sueco, ganhou o Prémio Nobel da Literatura. Um dos seus poemas é sobre Alfama.

3 de outubro de 2011

Há quem ofereça livros!

O jornalista do Jornal Público, João Pedro Pereira, por razões várias, desistiu de acumular livros.
Por isso, montou um pequeno site onde põe os livros que tenciona dar.
E mesmo que não queiram nenhum, podem saber de alguém que lhes queira dar um futuro diferente do que o contentor da reciclagem, diz ele.
Ai os livros.... Ninguém lê... Reparem no que aconteceu... http://folhear.com/livros/2011/10/um-dia-bastou/#more-191 ...
... e talvez, um dia, podem receber o livro que sempre quiseram ler.