31 de maio de 2012

Dia Mundial Sem Tabaco

Quem diria? Já deixei de fumar há mais de nove anos...
E em resumo quero dizer o seguinte:
1. Ainda não sei por que deixei de fumar: ainda gosto do seu odor!
2. Mas deixei de fumar e um dia vou morrer na mesma: por fumar ou já não fumar, quem sabe?
3. A decisão foi muito acertada: apesar das dificuldades, a qualidade de vida aumentou!
5. Fui livre ao escolher e libertei-me de um vício: mas nada tenho contra os fumadores ( até gosto de estar com eles, como disse anteriormente).
6. E até poupo cinco euros por dia, ou mais... 
7. O sabor da vida aumentou: quer fisicamente quer psicologicamente.

Por isso neste Dia Mundial sem Tabaco quero felicitar todos os fumadores e todos os não fumadores. Todos merecem a minha estima e o meu respeito.

28 de maio de 2012

Um texto de Gonçalo M. Tavares públicado na imprensa Grega


Por vez e muitos dos intelectuais demitem-se de intervir no espaço público. E foi com imenso prazer que vi que Gonçalo M. Tavares tem muito a dizer, e disse, sobre o que se vai passando na Europa. Aqui ficam as suas palavras:

«1. Sobre a Europa (Os anos Pavlov e outras considerações imaginárias)
Uma dor de cabeça faz com que dês atenção à parte de cima. Por exemplo, se a Europa tem dores de cabeça, então, ela própria olha para a parte de cima dessa anatomia. Se as dores são no pé, ela olha para baixo. As dores são portanto outra forma de iluminar. Uma iluminação materialmente mais espessa, uma iluminação fisiológica, que vem de dentro e não de fora. Vês melhor aquilo que dói. Olhamos mais, reparamos mais, naquilo que dói. No fundo: aquilo que dói existe mais.
Outro exemplo, há um corpo que diz: dói-me a Europa. Como se a Europa fosse um órgão ou um novo sistema circulatório. 
O homem que tem uma dor na Europa. Eis um belo título.
Um homem que tem uma dor na Europa deve ser tratado, parece-me. Claro que há órgãos que podem ser extraídos, porém aqui talvez não. Será que podes extrair e deitar fora um órgão da Europa? Há algo que substitua as suas funções?
2. Diálogo sobre a Europa
- Posso fazer-lhe uma entrevista?
Ok.
-Falemos de Europa?
Sim.
- E de Pavlov.
Ok. Tudo bem.
Na experiência de Pavlov os cães salivavam, primeiro só com o prato mesmo vazio, depois bastava o som dos sapatos de quem trazia a comida, depois com apenas a campainha. Enfim, uma longa aprendizagem. Não havia comida, mas o organismo e a fisiologia do cão reagiam como se houvesse.
- Portanto, a questão é esta: se substituirmos um cão por um continente o que acontece?
Se os procedimentos forem proporcionalmente idênticos aos procedimentos levados a cabo por Pavlov e pela sua equipa, a Europa também salivará, mesmo sem alimento à sua frente. Salivará só com o som que anuncia a entrada do alimento.
E claro que podemos sempre substituir a saliva pelo medo. A Europa, quando escuta certas palavras que anunciam desgraças, começa logo a tremer, a ter medo, a assustar-se, a pôr-se debaixo da mesa da cozinha ou debaixo dos lençóis da mamã. Eis uma síntese.
- Estamos portanto diante de uma experiência de Pavlov, a grande escala?
Exacto. Não é necessária a desgraça em si, basta o seu anúncio. Tem os mesmos efeitos. 
O importante não é um acontecimento, mas sim os seus efeitos
Compreendo.
Por exemplo, um tremor de terra. Mesmo que não exista um tremor de terra, se nós partirmos as casas ao meio, se abrirmos buracos na rua, etc., obteremos os mesmos efeitos.
Portanto, se virmos casas partidas ao meio, tectos caídos, buracos na rua, podemos concluir: houve um terramoto. Mesmo que não seja verdade. 
Eu diria, em suma: os efeitos são a verdade. 
- Os efeitos são a verdade.
- O cão saliva. A Europa assusta-se e põe-se debaixo da mesa.
Exacto. 
Poderemos designar este período como Os Anos Pavlov da Europa.
É um belíssimo nome.
Ou talvez melhor A DÉCADA PAVLOV da EUROPA.
A questão é esta: em vez de colocares um único cão a salivar sem alimento à sua frente, só por causa do toque da campainha… condicionamento clássico…colocas milhões com medo também só com o toque da campainha.
- Mas pode um continente comportar-se como um cão?
- Pode

Este texto, de  Vítor Coelho da Silva,  foi retirado de ptnet crónicas .

27 de maio de 2012

Mentiras

Um mentiroso, em Portugal, não deixa de ser mentiroso só porque a justiça é lenta ou não funciona!

26 de maio de 2012

Que conforto...


Jonathan Franzen, como todos nós, foi adolescente. E se pensamos que a nossa adolescência foi um período complicado e contraditório, vale bem a pena dar um passo atrás e ler sobre aquilo que nos aconteceu. Mais, sobre tudo o que acontece aos adolescentes.
Esta é a proposta de  Jonathan Franzen que no livro «Zona de Desconforto», nos relata os dramas e as conquistas do escritor durante a sua juventude.
As discussões dos pais sobre se o ar condicionado devia ou não estar na zona de conforto lembraram-me algumas das que assisti entre os meus progenitores...
Mas há muito mais pontos em comum, como a maquinação de estratégias,  a invenção de asneiras colectivas, e outras que todos sabem.
Mas não é, no entanto, a identificação que importa – e feliz será quem não se identifique com nada, digo eu – mas a circunstância de este ser um livro profundo, sincero, justo e gerador de razões suficientes para ser lido por quem já passou e assiste a estes rituais de passagem!

25 de maio de 2012

O mundo


Eu sei que é possível passar sem um bom livro. 
Existe um mundo lá fora. Existe um mundo que nos envolve. Azinhagas,  estradas, cidades. Família, amigos e pessoas. Pronúncias, línguas e palavras. É sempre possível passar sem os outros o que não é contudo conveniente. A solidão é e será sempre insuportável.
Resguardo contudo espaços do dia para coisas mais intimas: as palavras escritas.

23 de maio de 2012

Depois de um discurso flamejante que ouvi, decidi escrever o seguinte...

São históricos alguns discursos...
O auditório torna-se sempre pequeno para um fogo deste tamanho...
A figura do revolucionário, que confundindo optimismo histórico e voluntarismo individual prega a irracionalidade política: é tão real e objectivo que parece moderno. Mas como todos pensaram, ele não é mais do que uma figura de um passado cada vez mais remoto. Um passado, que como todos, já não volta!
E como a plateia se apercebeu, por trás do fogo da palavra e de todos os efeitos especiais, o revolucionário dá lugar ao reaccionário.
A única ideologia do revolucionário é reagir ao mundo - não ser condicionado por ele: um verdadeiro reaccionário.
E no final sabemos que saboreámos uma das mais perigosas formas de ideologia: aquela que não se assume como discurso, que se escapa permanentemente à análise e à crítica. Eles, idealmente, são os donos da verdade.
Ora, o mundo nunca é como é: é sempre o resultado das múltiplas construções e reconstruções humanas. E esta transformação é para ser desconstruída e renovada criativamente!
O Futuro está aí: sejam apenas Homens.

22 de maio de 2012

Questões!!

Qual é a regra da matemática que demonstra que o salário mínimo deve manter níveis adequados às disponibilidades das empresas enquanto que o salário máximo pode ser.... pornográfico?

20 de maio de 2012

Eu sou Grego!


Eu sou Grego pois o nosso passado, presente e futuro está ligado!
Eu sou Grego pela Filosofia!
Eu sou Grego, pela História, pela Cultura, pela Democracia!
Eu sou Grego porque cometo Erros e não sou Perfeito!
Eu sou Grego pois ainda tenho Livre Arbitrio!
Eu sou Grego já que sou Europeu!
Eu sou Grego por vontade própria!
Eu sou Grego pois sou Homem!
Eu sou Grego!

BigMac


“Supermarket lady“, Duane Hanson


18 de maio de 2012

Cão Celeste

Saiu o primeiro número da nova revista Cão Celeste. É dirigida pelos poetas Inês Dias e Manuel de Freitas. É uma publicação interessante pois «pretende apenas ganir, ladrar com raiva ou paixão, amar ou odiar sem peias aquilo que o mundo quotidiano lhe dá a ver – de seis em seis meses...» e ser «um espaço de encontro entre pessoas que ainda consideram urgente o livre exercício da crítica, do pensamento ou da revolta».
Pode ser o início de um bom projecto...

17 de maio de 2012

Faltam trinta dias...

Não foi possível formar um governo: não há governo. A Grécia não tem governo.
Mas as próximas eleições na Grécia são já daqui a um mês. Um mês! Trinta dias!
Para alguns será uma eternidade para outros será um instante. 
Mas a democracia é assim. Governa quem tem votos para governar. É a escolha livre do cidadão que determina aqueles que governam. E a crise leva ao radicalismo. Os Gregos estão assustados e...
... Começaram a fazer levantamentos em massa, dos bancos...
... Os bancos gregos estão sem liquidez...
... A Europa diz que não vai nem mais um euro par a Grécia...
... Portugal não ser quer como a Grécia...
 Não era melhor acabar com isto de uma vez por todas?

16 de maio de 2012

Política, Democracia e Verdade

Ensina-nos a lógica que uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo, ou seja, ser e não ser em simultâneo. ( Princípio de Identidade e Princípio da não contradição).
E quando se elimina de modo implacável a possibilidade de uma terceira resposta, falamos do princípio do terceiro excluído.
Hoje, ignora-se esta contradição e empobrece-se o sentido das coisas.
A nossa história recente da política e da democracia mostra-nos, de forma ostensiva, que a verdade e a mentira têm mutações e que a verdade é contaminada pela mentira.

15 de maio de 2012

Agarra a oportunidade...

Diz o nosso primeiro ministro que estar desempregado é uma oportunidade...
E como o desemprego está a aumentar as oportunidades também...
Logo, para quê manter abertos os «Centros das Novas Oportunidades»??!!
Conclusão: encerra os Centros das Novas Oportunidades.
Estar Desempregado é uma e a maior oportunidade.
Soberba ideia... Nem um Xico Esperto se lembraria de tal!

10 de maio de 2012

Gonçalo M. Tavares

Confesso que estou  muito perplexo.
Estou sempre a falar de Gonçalo M. Tavares.
Estou sempre a ler Gonçalo M. Tavares..... Neste caso:

"(...)Apenas com vinte e seis letras se dá nome a todas as coisas do mundo e se explicam os inteiros movimentos de todas as coisas do mundo. O que se conseguiria, então, se o alfabeto tivesse vinte e sete letras? Há quem considere, aliás, que o brutal desconhecimento de Deus se deve precisamente à ausência desta última letra do alfabeto. E a qualquer língua falta uma última letra. Terminámos cedo de mais e, assim, ficámos com os mistérios do mundo. Mas isto é outro assunto, senhor Breton."



O Senhor Breton e a Entrevista

E porquê esta boa surpresa?
É Português e ainda por cima é mais novo do que eu! Mais, tem uma produção literária avassaladora, principalmente, se levarmos em linha de conta que aos 30 anos ainda não tinha publicado nenhum livro.
E já agora...
Tenho que ser totalmente honesto e dizer que a avaliar pela leitura curiosa e atenta que fiz dos muitos livros, Gonçalo M. Tavares, é um escritor e como escritor está em vias de se tornar um grande escritor. Pelo menos no sentido clássico do termo.
Parabéns Gonçalo!

9 de maio de 2012

O Desejo de Querer Menos

A distância que vai entre nossos desejos e as nossas necessidades é um dos maiores paradoxos do Homem.
Em todo a civilização ocidental se constata esta diferença: quer ao nível da quantidade quer ao nível da intensidade.

Aquela fatia de bolo de chocolate após um almoço perfeitamente saudável...
E será que alguém precisa realmente do iPad 2 ?
Temos de enfrentar a questão e conciliar os nossos desejos com as nossas necessidades. 

Esteja atento ao que se segue:
-Quando eu tinha 8 anos eu queria um cão;
-Quando eu tinha 10 anos eu queria ser o Super-Homem;
-Quando eu tinha 14 anos eu queria uma Vespa;
-Quando eu tinha 16 anos eu queria um Ferrari;
-Quando eu tinha 20 anos eu queria casar com a Michelle Pfeifer;
-Agora eu quero tudo!
E, Eu, só preciso do suficiente para sobreviver!

7 de maio de 2012

A Água




No café trazem-me um copo com água
como se ele resolvesse todos os meus problemas.
É ridículo – penso – não há saída.
No entanto, depois de beber a água
fico sem sede.
E a sensação exclusiva do organismo
acalma-me por momentos.
Como eles sabem de filosofia – penso –
e regresso, logo a seguir, à angústia.

Gonçalo M. Tavares, 1

4 de maio de 2012

A gravidez - Séc. XXI


Como explicar "a gravidez" a uma criança do séc XXI?

As abelhas, as flores, uma sementinha, a cegonha, Paris, tudo isto já está fora de moda. Esta é a explicação moderna e tecnológica:
Um bom dia, um filho pergunta ao seu pai:
- Papá, como é que foi que eu nasci?
- Muito bem meu filho, chegou o momento de falar disso, pois então vou explicar o que deves saber:
« Um dia, o pai e a mãe, entraram no Facebook, fizeram amizade e ficaram amigos. Depois o pai mandou um e-mail à mãe para verem-se num Cybercafé. Descobrimos que tínhamos muitas coisas em comum e que nos entendíamos muito bem. Quando não estávamos à frente do laptop, conversávamos no chat do BlackBerry.
E desta forma fomo-nos conhecendo e nos apaixonamos até que um belo dia decidimos partilhar os nossos ficheiros. Caminhámos dissimuladamente para a casa de banho e o papá introduziu o seu Pen Drive na entrada USB da mamã. Quando começou o download dos ficheiros,demo-nos conta que tínhamos esquecido do software de segurança e que não tínhamos Firewall.
Já era tarde demais para cancelar o download e impossível apagar os ficheiros. Assim foi, como aos nove meses...
...Apareceu o VIRUS!

2 de maio de 2012

Um pouco de força...


«Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem que ninguém lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair


 Miguel Torga