31 de agosto de 2012

Portas

Sempre me disseram que não era educado escutar Portas.
É claro que nunca houve Portas como hoje!

16 de agosto de 2012

Mulheres


“… porque razão nós as mulheres não somos felizes, quer dizer até podemos ser felizes mas não somos felizes felizes e muito menos felizes felizes felizes , também não somos infelizes, é um estado de alma assim assim que o facto de termos uma família vai compondo, uma família, a casa paga, os electrodomésticos pagos, tudo pago, …“
António Lobo Antunes, Crónica, revista Visão

14 de agosto de 2012

O essencial


Em tempo de austeridade há quem possa ser tentado a seguir este caminho.
Temos que nos preocupar que alguém leve a cabo uma reforma redutora. O caminho de procura de um currículo essencial reduzido a Português, Matemática e Ciências e eventualmente uma língua, para que depois os nossos filhos possam facilmente emigrar sem muitas dificuldades.
E pensando nas famílias e nas suas dificuldade, todo o percurso se encerrará ma construção de um livro único que passe de geração em geração.
Depois do essencial não será necessário. O supérfluo  é dispensável, não serve para nada.
E quem não tiver competências e motivação para ser bem sucedido no que é mesmo essencial, tem a hipótese de fazer desporto e ir buscar uma medalha aos jogos Olímpicos: e neste caso será tratado como um verdadeiro Herói.. o que lhe irá proporcionar uma vida de excelência. 

12 de agosto de 2012

É tudo mentira


Há muito, muito tempo...

Quando eu ainda nem andava na escola o pessoal sofria mas como não havia televisão ninguém sabia. E com a censura dos jornais tudo se esquecia num instante!
Nos tempos que correm temos centenas de televisões e internet. Mas o que é que nos mostram?
A actualidade reduz-se a feiras, praias maravilhosas, festivais de marisco,  leilões de sapateiras, ordenados milionários, fundações e  actrizes «famosas» a mostrar intimidades. É tudo à grande...
Desemprego, precariedade e degradação? Tudo mentira.

10 de agosto de 2012

Faz 100 anos que nasceu o Jorge... mais Amado em Portugal



«Avô, mesmo que a gente morra, é melhor morrer de repetição na  mão, brigando com o coronel, que morrer em cima da terra, debaixo de relho, sem reagir. Mesmo que seja pra morrer nós deve dividir essas terras, tomar elas para gente. Mesmo que seja um dia só que a gente tenha elas, paga a pena de morrer».

Os Subterrâneos da Liberdade - Agonia da Noite, Jorge Amado

8 de agosto de 2012

Sobre a «verdade»


O ramo da ciência que se responsabiliza pela classificação de todos seres vivos – sistemática - teve início no século IV A.C., com Aristóteles, que ordenou os animais consoante o seu modo de reprodução e o seu tipo de sangue.
Mas quando foi criado este sistema, Aristóteles, ainda não possuía as ferramentas ideais e esta classificação, dos seres vivos, era muito rudimentar.
Conta-se que Aristóteles deixou registado que a mosca doméstica tinha oito patas. Ao longo de muitos séculos, os detentores do saber e os copistas reproduziram a aristotélica asserção até que alguém se atreveu a desafiar a sua autoridade científica e verificar que a mosca tem apenas seis patas. 
E isto para dizer o seguinte: quando chegará o tempo em que os protagonistas de absurdos modelos de conhecimento, que ainda temos, se decidirão a contar as patas de uma mosca?

7 de agosto de 2012

A vitória da Moral


«Encontram-se, um dia um Princípio Moral  e um Interesse Material, no leito duma ponte tão estreita que só podia dar passagem a uma pessoa de cada vez.
- De rastos, vil criatura! – gritou, tonitruante, o Princípio Moral.
– De rastos, para que eu te possa passar por cima.
O Interesse Material limitou-se a fitá-lo bem nos olhos, sem proferir palavra.
- Bem – admitiu o Princípio Moral, num tom hesitante – tiramos à sorte, para sabermos qual de nós dois deve recuar até que o outro haja passado a ponte.
O Interesse Material continuou sem abrir boca e a fitar o seu interlocutor.
- Para se evitar um conflito – parlamentou o Princípio Moral, não sem certo mal-estar – vou estender-me no chão e consentir que o senhor passe por cima de mim.
Foi então, que o Interesse Material tomou a palavra para afirmar:
- Pois eu penso que você não é bom piso para mim. Sou muito exigente quanto ao que calco aos pés. Acho melhor que se atire ao rio.
E assim se fez


Ambrose Bierce

6 de agosto de 2012

A Ascensão da Insignificância



O livro «A Ascensão da Insignificância», de Cornelius Castoriadis, traduzido para português pela Editorial Bizâncio, merece ser lido nos tempos que correm.
E porquê? Para tentar saber qual será o modelo e os valores que as sociedades do capitalismo liberal, essa entidade abstracta que tem o nome de «mercados», oferecem ao resto do mundo?

E querem saber...? O único valor que elas nos oferecem é o dinheiro, a notoriedade mediática ou o poder, no sentido mais vulgar e insignificante do termo.
O homem tem evoluído. A técnica e a ciência progridem diariamente. A medicina abre novos horizontes. Mas,
mas esse mesmo homem degenera ética e  culturalmente: mostra-se conformado diante do consumo, do dinheiro e da posse. Esta é a crise de sentido e de significação.
Este e outros assuntos vão suscitar a reflexão do leitor e ajudam-no a pôr em
causa muitas coisas que tantas vezes aceitamos sem questionar.

3 de agosto de 2012

Férias...


Finalmente o pessoal entrou em férias...
Agora sim: chegou a nossa vez. Chegou a vez daqueles que ficaram a guardar o castelo enquanto os outros foram para as Maldivas, as Caraíbas, as Maiorca e as Menorca...
O mestre Zé ficou para trás para apagar a luz. Desta vez partimos só com o que o Dr. Pedro Passos Coelho deixou: nem subsídio de férias, nem auto-estrada, nem emprego, nem rendimento mínimo. Tudo o que se gastar é adquirido com dinheiro pessoal porque o do orçamento de estado é só para quem se lambuza no pote: casas da moeda, bancos, ministros, fundações e assessores.
O pessoal só quer dar una mergulhos no Atlântico e comer uma ou outra sardinha.
Nem mais é possível: aquilo que ainda não tenha sido privatizado está a caminho de ser...
E o pessoal deve estar caladinho porque senão ainda é requisitado para  fazer serviços mínimos.
Quem me dera acreditar em Deus, no Pátria e no Gaspar...

2 de agosto de 2012

Ser, Pensar e Dizer


O que é estar com os outros? 
Uma forma de cada um dizer o que pensa. Uma forma de cada um exprimir a sua opinião enquanto pessoa, enquanto cidadão . Assim se assegura a participação de todos na vida pública e cívica.
O que é estar com os outros nas redes sociais?
Uma forma de cada um dizer o que pensa. Uma forma de cada um exprimir a sua opinião enquanto pessoa, enquanto cidadão . Assim se assegura a participação de todos na vida pública e cívica.

É claro que muitos utilizam as redes sociais como um meio de engrandecer o seu infinito ego: há os carentes de afecções, os loucos por palco, os que esperam compreensão. É um reino da fantasia... um conto das «mil e uma noites». Mas não deixa de ser um a extensão do mundo real!

«Ser ou não ser, eis a questão». «Penso logo existo». «O Homem é um ser de linguagem».

Mas todos sabemos que há coisas que, apesar de nem sequer poderem ser pensadas, não se podem dizer. Devemos reprimir a sua expressão.
Mas... há sempre outros «factos» que não se podem, sequer, pensar, dizem Outros. Mas só o facto de não querermos pensar nelas faz com que as mesmas surjam. Quanto mais tentamos recalcar, mais alto gritam no nosso interior e... a única forma de lidar com elas é deixar que aconteçam, que circulem...