19 de março de 2013

Ser Pai...

«A fecundidade não tem apenas um sentido biológico mas é também uma «categoria ontológica» em que o filho não é uma obra, um poema ou um objecto nem tão-pouco uma propriedade, não é causado nem dominado nem tido mas é um outro ou estranho , que simultaneamente é o eu do pai: «Eu não tenho o meu filho, eu sou o meu filho». Nesta saída de si para o filho em que «a fecundidade do eu é a sua própria transcendência», o pai abre-se a um futuro seu e não-seu , que não entra na essência lógica do possível, não é o germen aristotélico nem o ser-possível heideggeriano. Na proposição «eu sou o meu filho», as palavras «eu sou» têm um significado diferente do do discurso eleático ou platónico, porque agora há «uma multiplicidade e uma transcendência , que faltam até nas análises existencialistas mais ousadas». O filho não é um acontecimento qualquer mas um eu, uma pessoa, cuja alteridade não é a do alter ego. Por seu lado, a paternidade não é uma simpatia pela qual o pai se pode colocar no lugar do filho mas é o próprio ser do pai, que se trans-substancia no ser do filho, rompendo a solidão a que a hipóstase ou substância o condenara. A relação ontológica ao filho, pela qual o eu se torna outro, não tem a estrutura da posse e do domínio, porque a alteridade e a estranheza do filho gozam de transcendência : «A paternidade é a relação com um estranho, que, sendo plenamente outro, é (o) eu (do pai): a relação do eu com um eu, que, no entanto , é estranho ao eu». Estranho e familiar, idêntico e indisponível , o filho recebe dos pais a sua unicidade, que o torna eleito: «Cada filho é filho único, filho eleito

 E. Lévinas

17 de março de 2013

Vamos fazer uma parceria??!!

Se alguém quiser fazer uma parceria comigo, as regras são as seguintes:
- os parceiros devem assumir as estranhas assimetrias da parceria;
- eu recebo os lucros;
- tu assumes os encargos e os riscos.
Enfim, nenhuma originalidade!

14 de março de 2013

Parabéns, Albert Einstein!

(14 de Março de 1879 - 18 de Abril de 1955)


"O estudo em geral, a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido ficar crianças toda a vida."

11 de março de 2013

O que é demais já cheira mal...


«Anda por aí, com ares gaiteiros e contentinhos, um discurso político de tinturas eutanásicas, que me lembra velhas fábulas com que, na minha infância, se pretendia inculcar, na escola, algum respeito pelos idosos: numa dessas fábulas, falava-se de certas tribos que achavam bem e conveniente mandar para a montanha, para ali morrerem, bem perto dos ursos e munidos de uma manta, os velhos considerados imprestáveis, como meios de “produção” (algum “economês” já estava, por então, em vigor).
Maupassant, nos seus contos magistrais e frequentemente cruéis, pinta-nos quadros inesquecíveis de brutalidade dos novos contra os velhos, até ao ponto do assassinato dos já não produtivos. Agora que o “economês” invade tudo  —  mesmo territórios que não sabe decifrar  —  parece que estamos de novo necessitados de algum bom Fedro que congemine fábulas, para uso dos economistas que mais ou menos nos desgovernam. Lembrando-lhes coisas simples, como, por exemplo, serem os idosos pessoas e poderem até ser uma mais-valia para a sociedade em que se inserem

Eugénio Lisboa, no Jornal de Letras

6 de março de 2013

Cortes no estado...

Depois de muitos estudos,
Depois de muitas voltas e cambalhotas,
Portas e Gaspar tomaram uma decisão.
E qual é ela?

Cortes no estado do tempo!