17 de setembro de 2013

Tu és ímpar!

Se bem me lembro a teoria Pitagórica dos números começava com uma dicotomia entre o par e o ímpar. Mas sobre esta e outras estórias muito letrado já versou!
Mas o que me tem preocupado, entre outros motivos, são as das minhas próprias limitações face à singular grandeza intelectual e moral de certos oponentes!
Todos temos as nossas disputas. Mas só disputamos com quem queremos. Haverá alguém por quem darias e apostarias a tua própria vida?
No nosso dia a dia apreciamos os objetos do mundo  e apresentamos as nossas ideias acerca deles. Parece haver várias versões acerca deles. Cada homem, à sua maneira, afirma algumas das suas qualidades.
Há alguns que têm uma visão estética da realidade. As formas dos objectos do mundo estão presentes no seu olhar. Pontos, linhas e cores.
Há porém algumas classes de homens que querem contar o mundo. Quantificam a realidade de tal maneira que afirmam que a matemática está em todo o lado. Cada parcela de realidade fica aprisionada a um número. Não a apenas um número: mas sim a um conjunto de números e, nalguns casos, a umas quantas leis científicas. Como se houvesse uma prévia arquitectura geométrica divina. A visão de uma entidade suprema como o maior matemático de sempre: criador de todas as coisas.
Não há fé que resista diante deste mundo adestrado. «O girassol é pura matemática»!
Regressemos à vida. Voltemos ao lugar da "pedra da paciência". Ouçamos aquilo que os mais antigos nos podem ensinar acerca da realidade.
Sentados num penedo fresco, por baixo de uma trepadeira, feita de umas videiras já secas, dois velhotes da aldeia discutem sobre a verdade. Sem qualquer receio aproximei-me e fiquei atento à conversa: "Sei que a verdade é um número ímpar e que todas as aproximações, da primeira à última e seus intermédios, são irremediavelmente pares." 
Malditos sejam os maus pensamentos. Como poderíamos entender um tal afirmação? Todos acreditamos em números pares: um par de meias, um par de jarras. Um conjunto de um conjunto. Os homens de duas faces. Que contradição!
Eu pessoalmente sentir-me-ia um homem mais feliz se conseguisse solucionar o enigma da natureza dos números. Mas percebi que a verdade é única. Uma. Una. Ímpar.
Parece sempre escapar alguma coisa. Voltar a baixar os olhos e pensar: quem melhor do que este Homem de excepção para demonstrar a verdade ou a falsidade?
E fico menos triste. Afinal, durante uma disputa, onde são apresentados múltiplos argumentos, todos os participantes mudam de lugar. Quem és tu? Quem sou eu?
E, tal como eu e muitos outros que procuram aprender o que é a "verdade", devemos continuar a perguntar, sempre que precisemos de ajuda ou de reflectir…
Uma história ímpar...
Uma caixa dentro de outra caixa quantas caixas são?
Tenho fé que saibas!

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