31 de outubro de 2013

A acção humana

«Vou contar-te um caso dramático. Já ouviste falar das térmitas, essas formigas brancas que, em África, constroem formigueiros impressionantes, com vários metros de altura e duros como pedras? Uma vez que o corpo das térmitas é mole, por não ter a couraça de quitina que protege outros insectos, o formigueiro serve-lhes de carapaça colectiva contra certas formigas inimigas, mais bem armadas do que elas. Mas por vezes um dos formigueiros é derrubado, por causa de uma cheia ou de um elefante (os elefantes, que havemos nós de fazer, gostam de coçar os flancos nas termiteiras).
A seguir, as térmitas-operário começam a trabalhar para reconstruir a fortaleza afetada, e fazem-no com toda a pressa. Entretanto, já as grandes formigas inimigas se lançam ao assalto. As térmitas-soldado saem em defesa da sua tribo e tentam deter as inimigas. Como nem no tamanho nem no armamento podem competir com elas, penduram-se nas assaltantes tentando travar o mais possível o seu avanço, enquanto as ferozes mandíbulas invasoras as vão despedaçando. As operárias trabalham com toda a velocidade e esforçam-se por fechar de novo a termiteira derrubada… mas fecham-na deixando de fora as pobres e heróicas térmitas-soldado, que sacrificam as suas vidas pela segurança das restantes formigas. Não merecerão estas formigas-soldado pelo menos uma medalha? Não será justo dizer que são valentes? Mudo agora de cenário, mas não de assunto. Na Ilíada, Homero conta a história de Heitor, o melhor guerreiro de Tróia, que espera a pé firme fora das muralhas da sua cidade Aquiles, o enfurecido campeão dos Aqueus, embora sabendo que Aquiles é mais forte do que ele e que vai provavelmente matá-lo. Fá-lo para cumprir o seu dever, que consiste em defender a família e os concidadãos do terrível assaltante. Ninguém tem dúvidas: Heitor é um herói, um homem valente como deve ser. Mas será Heitor heróico e valente da mesma maneira que as térmitas-soldado, cuja gesta milhões de vezes repetida nenhum Homero se deu ao trabalho de contar? Não faz Heitor, afinal de contas, a mesma coisa que qualquer uma das térmitas anónimas? Por que nos parece o seu valor mais autêntico e mais difícil do que o dos insectos? Qual a diferença entre um e outro caso? Muito simplesmente, a diferença assenta no facto de as térmitas-soldado lutarem e morrerem porque têm de o fazer, sem que possam evitá-lo (como a aranha come a mosca). Heitor, pelo seu lado, sai para enfrentar Aquiles porque quer. As térmitas-soldado não podem desertar, nem revoltar-se, nem fazer cera para que outras vão em seu lugar: estão programadas necessariamente pela natureza para cumprir a sua heróica missão. O caso de Heitor é distinto. Poderia dizer que está doente ou que não tem vontade de se bater com alguém mais forte do que ele. Talvez os seus concidadãos lhe chamassem cobarde e o considerassem insensível ou talvez lhe perguntassem que outro plano via ele para deter Aquiles, mas é indubitável que Heitor tem a possibilidade de se recusar a ser herói. Por muita pressão que os restantes exercessem sobre ele, ele teria sempre maneira de escapar daquilo que se supõe que deve fazer: não está programado para ser herói, nem o está seja que homem for. Daí que o seu gesto tenha mérito e que Homero nos conte a sua história com uma emoção épica. Ao contrário das térmitas, dizemos que Heitor é livre, e por isso admiramos a sua coragem


                                          Fernando Savater, Ética para um Jovem

30 de outubro de 2013

28 de outubro de 2013

Violência Familiar

Nunca gostei da barbara, da tv, e muito menos do carrilho, da filosofia. Nem quero saber, mais nada, deste casal de V.I.P.´s. Deveríamos gastar as nossas energias nos inúmeros casais em risco, com poucos meios para sobreviver, que brevemente entrarão para os registos das agressões...

24 de outubro de 2013

Os novos dirigentes políticos...

Com estes novos dirigentes políticos nada está garantido: nem o passado, já que as leis são retroactivas, nem o futuro, já que tudo é incerto e imponderável. Resta-lhes um presente efémero, como eles o são. São uns autênticos ladrões do tempo. Nada lhes restará.

20 de outubro de 2013

Somos Portugueses!

Não devemos ter qualquer dúvida que somos Portugueses. Mesmo nos maus momentos somos Portugueses. Mesmo quando o 1º Ministro quer que sejamos mais pobres, mesmo quando a Ministra das Finanças diz que é pobre!
Somos pobres mas Portugueses. E vamos sair desta situação depois de «corrermos» com este governo!

19 de outubro de 2013

Espanto!

Porque é que os políticos se admiram das atitudes do tribunal constitucional, se são eles que nomeiam a maior parte dos seus membros!

17 de outubro de 2013

A Validade dos Argumentos

«Os lógicos (…) distinguem a validade da solidez. Diz-se que um argumento é válido se a conclusão se segue das premissas. No entanto, para que seja sólido, um argumento tem de ser válido e as premissas têm de ser verdadeiras.
Importa fazer outra observação. O grau com que as premissas apoiam a conclusão pode variar. Por vezes as premissas não aprovam absolutamente que a conclusão seja verdadeira, mas proporcionam dados que tornam muito provável que a conclusão seja verdadeira.
1.  Francisco foi visto a discutir com Sara alguns minutos antes de Sara ser morta com uma faca.
2. A faca tinha impressões digitais de Francisco.
3.  Logo, Francisco matou Sara.
Este argumento não prova absolutamente que Francisco matou Sara, já que é possível que ele tenha caído numa cilada. Porém, à luz destes dados, é provável que ele seja o assassino. Os dados aumentam a probabilidade da conclusão ser verdadeira.

Assim, o primeiro conselho para avaliar argumentos, que é também o mais importante, é o seguinte: comece sempre por perguntar se as premissas são verdadeiras e se a conclusão se segue delas. (...)
Não acredite que um argumento tem de ser sólido simplesmente porque concorda com a conclusão.(…)

Se descobrir que um argumento não é sólido,  tente reformula-lo de modo a torna-lo melhor.(…) Esteja atento a falácias comuns (…)»


                                                      James Rachels, Problemas da Filosofia

16 de outubro de 2013

Pensamentos

« Um trabalho filosófico consiste essencialmente em elucidações
Ludwig Wittgenstein

7 de outubro de 2013

Passos do Passos

A falácia é um raciocínio enganoso que pretende ludibriar...
Não caminhem por aí, Nem todos se deixam ludibriar!
O regresso de Portugal aos mercados não está dependente da capacidade de cumprir os «passos do passos». Há sempre uma alternativa.
Nem que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, repita a ladainha mil vezes. Nem que a senhora FMI, Christine Lagarde, repita a ladainha mil vezes.
É claro que devemos fazer um esforço mas a responsabilidade deve ser repartida equitativamente: isto é, mais por uns do que por outros.

Pé ante pé sem seguir os «passos do passos».
Há ainda um alguém que tem de pagar a sua quota parte: os mercados e os juros da dívida pública!
É que por mais que inventem, internamente, todas as medidas recairão sobre o cidadão consumidor. E estes seriam «os passos do passos» a evitar.

5 de outubro de 2013

Dia Mundial do Professor

Neste dia, 5 de Outubro, celebra-se o Dia Mundial do Professor.
E nestes tempos em que a profissão do professor é tão desvalorizada, não podía deixar de aproveitar para chamar a atenção para muitos, que já foram meus colegas, que continuam no desemprego e que poderiam ter um papel fundamental na sociedade actual e no futuro que queremos construir.
Nunca podemos desistir dos nossos filhos: as crianças merecem ser melhores do que nós.
Um bom dia para todos os professores!
Obrigado!

4 de outubro de 2013

Perguntas...

“A economia portuguesa não produz riqueza suficiente para gerar as receitas fiscais necessárias para as responsabilidades de despesa assumidas e quiçá garantidas constitucionalmente. Essa despesa concentra-se em três áreas: prestações sociais, salários da função pública e juros da dívida.“

Paulo Trigo Pereira, Renovar o contrato social, jornal Público

Pergunto eu:
E porque só cortam nas duas primeiras??!!

3 de outubro de 2013

O Valor da Filosofia

«Devemos procurar o valor da filosofia, de facto, em grande medida na sua própria incerteza. O homem sem rudimentos de filosofia caminha pela vida preso a preconceitos derivados do senso comum, das crenças costumeiras da sua época ou da sua nação, e das convicções que cresceram na sua mente sem a cooperação ou o consentimento da sua razão deliberativa. Para tal homem, o mundo tende a tornar-se definido, finito, óbvio;
os objectos comuns não levantam questões e as possibilidades incomuns são rejeitadas com desdém. Pelo contrário, mal começamos a filosofar, descobrimos que mesmo as coisas mais quotidianas levam a problemas aos quais só se podem dar respostas muito incompletas. A filosofia, apesar de não poder dizer-nos com certeza qual é a resposta verdadeira às dúvidas que levanta, é capaz de sugerir muitas possibilidades que alargam os nossos pensamentos e os libertam da tirania do costume. Assim, apesar de diminuir a nossa sensação de certeza quanto ao que as coisas são, aumenta em muito o nosso conhecimento quanto ao que podem ser; remove o dogmatismo algo arrogante de quem nunca viajou pela região da dúvida libertadora e mantém vivo o nosso sentimento de admiração ao mostrar coisas comuns a uma luz incomum.»


                                                                       Bertrand Russell, Os problemas da filosofia

2 de outubro de 2013

Escola

Parece que o ano lectivo continua a começar com normalidade.
Um caos!

1 de outubro de 2013

Da Liberdade

Não há escolhas sem liberdade pessoal. Tudo o que reconhecemos, em nós e no mundo, como frágil e desprezível... é necessariamente o resultado do risco de sermos livres.