30 de setembro de 2014

Intervalo

Por motivos da atividade piscatória entendi fazer um intervalo nestas publicações, Voltarei em breve!
LOL

16 de setembro de 2014

Escola Medieval

No tempo de S. Agostinho, a tarefa do professor em relação ao seu aprendiz era tripla: legere, disputare e predicare. Legere era simplesmente ler. Disputare era a actividade de debater um assunto, em que cada parte da turma defendia a sua posição. Predicare consistia em tornar público, aos pais e à sociedade, as atividades da escola.

14 de setembro de 2014

De regresso ao trabalho


Amanhã é o dia do regresso ao trabalho pleno. 
Nesta sociedade de consumidores, que procuram as formas mais simples e fáceis de vida, temos de reforçar a consciência das exigências, mesmo quando o trabalho e o esforço forem perceptíveis. Não nos podemos deslumbrar perante a abundância. Temos de fixar as nossas metas, mesmo depois do toque saída.
Mas não basta a aprendizagem de conhecimentos. Há que trabalhar o modo de vida e o modo de ser. Pensar e tomar decisões. Chega, como diz M. Foucault, "fazer operar o dizer-verdadeiro".
É só uma ideia, ou um valor, a ter em consideração.

13 de setembro de 2014

Uma família


Uma família é, de certo modo, um mecanismo simples, composto, apenas, por um pequeno número de engrenagens. Tem, no entanto, muito que se lhe diga. É que as engrenagens são sistemas complexos que articulam peças, rodas e movimentos diferentes. E atuam, de tal forma, umas sobre as outras que sugerem muitas preocupações. E a harmonia e ou a desarmonia entre as partes depende de valores altamente bizarros, que não têm qualquer definição. E nos corpos familiares, todos os seus membros, apresentam propriedades particulares, que os levam a desenvolver atividades singulares.
E é dessas engrenagens específicas que vos quero falar. Seja dia ou seja noite. Seja diálogo, debate ou projeto que esteja a decorrer. Sejam férias ou trabalho. Seja de pé, sentado ou em qualquer outra postura corporal. Há sempre um ideia em paralelo. Algum recado ou uma nota extraordinária.
Uma porta nunca está aberta ou fechada: apenas entreaberta. É detectada a presença de uma abertura para outra possibilidade. Tudo pode acontecer, sem surpresas. Metáforas e símbolos. Pura fantasia: sem graça e pouco humor. Figuras e imagens.
Por Deus! Cada momento é um vislumbre da diferença.

9 de setembro de 2014

Pelo mar


“Chegarás primeiro à terra das sereias, cuja voz seduz qualquer homem que caminhe para elas. Se algum se aproxima sem estar prevenido e as ouve, jamais a sua mulher e os seus filhos pequerruchos se reúnem em torno dele e festejam o seu regresso; o canto harmonioso das sereias cativa-o. Elas habitam num prado, e a toda a volta a margem está cheia das ossadas de corpos que se decompõem.”

Homero

7 de setembro de 2014

Porque algumas tragédias ensombram as nossas vidas...

"A morte não é nada
Apenas passei ao outro mundo
Eu sou eu. Tu és tu
O que fomos um para o outro ainda o somos
Dá-me o nome que sempre me deste
Fala-me como sempre me falaste
Não mudes o tom a triste ou solene
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo
Que o meu nome se pronuncie em casa como sempre se pronunciou
Sem nenhum ênfase, sem rosto de sombra
A vida continua significando o que sempre significou
Continua sendo o que era
O cordão da união não se quebrou
Porque estaria eu fora dos teus pensamentos?
Apenas porque estou fora da tua vista?
Não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem
Redescobrirás o meu coração e nele redescobrirás a ternura mais pura
Seca as tuas lágrimas e, se me amas, não chores mais."
Santo Agostinho

5 de setembro de 2014

Linguagens


Conseguimos situar o papel da linguagem entre a explicação e a compreensão. Entre aquele que diz e aquele que ouve. Entre aquele que escreve e aquele que lê.
Quando a senhora Dier diz e o menino Robin ouve, esperamos um certo entendimento. Quando o Visconde de Valmont escreve à Marquesa de Merteuil, espera dela um total compromisso. Um puro jogo de abertura e ou de sedução.
Trazer à superfície o sentido das palavras. Da inteligibilidade à compreensão. Quando Toby Chandy e o seu ordenança Trim descrevem terrenos e máquinas de guerra, falam através de uma linguagem simples, para não ficarmos enterrados nas suas trincheiras. Quando Jonathan Swift nos faz a sua singela proposta para acabar com a pobreza, devemos ser homens sensatos e ponderar o que está em causa.
Neste sentido, não pode existir explicação, compreensão ou interpretação sem se pôr em jogo a totalidade da nossa estrutura existencial, mesmo que tenhamos a intenção de uma leitura puramente literal de um texto ou de um outro qualquer evento de linguagem. A pessoa é sempre posta em jogo.
Em suma: só somos seres de linguagem enquanto nos compreendemos uns aos outros.

30 de agosto de 2014

Atrasos

Claro que está a ir longe de mais: a senhora Patton continua a cavalgar as suas ferias.

28 de agosto de 2014

da liberdade


«Angustiado, o discípulo foi visitar o seu mentor espiritual e perguntou-lhe com uma voz desanimada: 
- Como me posso libertar, venerado mestre?
O preceptor respondeu:
- Meu amigo, e quem é que te prende senão a tua mente?»
In Ramiro Calle

25 de agosto de 2014

Da ignorância

Apesar de António Aleixo já ter abordado o tema numa das suas quadras, não quero deixar de Vos confessar: Que os Deuses nos protejam! Há por aí algumas pessoas tão doutas que têm uma tal sincera ignorância, que seria uma pena trocá-la por conhecimento. Não é sempre que estamos diante de uma tão valiosa genuinidade.

24 de agosto de 2014

Posturas corporais

"Porque é que um Homem olha para o céu quando está a imaginar coisas, e para o chão quando está a pensar no passado?"
Aristoteles

21 de agosto de 2014

Beira-mar

“Estar (...) à beira-mar a olhar para ocidente enquanto o Sol se põe no Atlântico é partilhar uma experiência humana intemporal” 
Cunliffe

13 de agosto de 2014

O melhor para a pesca


Afinal, quais são as condições atmosféricas para uma boa pescaria?
Vento do sul traz água quente e limpa e é favorável à pesca. Mas são os ventos do su(d)este, que estão associados às trovoadas, e que revolvem o mar, que os peixes mais gostam. E que significa este revolver do mar? Significam que as águas superficiais são afastadas e trazem à superfície águas profundas que transportam os nutrientes que estavam depositados no fundo.
As marés podem ser definidas como o aumento e diminuição do volume das águas num local, que por influência do sol e da lua, sobem e descem duas vezes no período de 24 horas. Ora, a enchente, com a duração de seis horas, em que o mar é revolvido e o peixe tende a aproximar-se da costa, que vem a culminar na praia mar, é uma boa ou mesmo a melhor oportunidade de fazer uns lançamentos.
A luz da lua também pode ser um dado a ter em conta. E sobre este aspecto, baseado na experiência de séculos, podemos afirmar que a lua nova e o quarto crescente são os momentos certos para pescar. Mas cuidado: há que consultar as tabelas e escolher os melhores dias. Numa estamos todos de acordo: nunca pesques no sexto dia de lua nova.
Um aumento ou uma alta pressão atmosférica são ideais para a pesca. Quanto menor a temperatura, a humidade e a altitude e maior a densidade do ar, maior a pressão atmosférica. Em, particular, a densidade do ar aumenta com em baixa altitude e temperaturas baixas. Mas não pensem que são os valores da pressão atmosférica que prejudicam a pescaria, mas sim as alterações bruscas dessa mesma pressão.
Depois de vistas todas estas condicionantes, qual é, afinal, o momento adequado para pescar?

12 de agosto de 2014

O Captain! My Captain!

O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done; 
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won; 
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
Walt Whitman

11 de agosto de 2014

O Mar

“O Mar, este ser mutável e informe, funda a Linhagem dos que se marcam predominantemente por essa natureza primordial do Mar. A variabilidade, as transformações, o disforme e a imensidade são traços pertinentes, sob aspetos positivos ou negativos, desta Linhagem. Os aspetos positivos do Mar exprimem-se em Nereu e nas Nereidas. A navegação propícia, fonte de riquezas, ligação e caminho entre as terras, os ingredientes marinhos das belas paisagens mediterrâneas, tudo isso se revela nos nomes das Nereidas; — e não só isso: mutável, imenso e informe, o Mar representa também um tipo de sabedoria de inesgotáveis recursos, que prevê o imprevisível, que enxerga o recôndito e o inescrutável; — em suma: uma consciência que, como o Mar, domina, em todas as suas dimensões, a amplidão temporal e espacial.” 
Hesíodo

10 de agosto de 2014

O mar...

O mar...
O tema do mar sempre fez parte da literatura. Desde o início dos tempos, o mar é largamente cantado por poetas entre outros amantes da sabedoria. O mar é um símbolo universal, das águas primeiras, da génese de todas as coisas.
Segundo a Bíblia,  Deus criou o Céu e a Terra, em seguida, no primeiro dia separou a luz das trevas e no segundo dia afastou as águas das águas, formando as águas terrestres e as águas celestes. Na cosmogonia dos Vedas da tradição bramânica, o Caos aquático precedeu a Criação. Para os egípcios, Nun dormia como a água escura e parada. Ao acordar encontrou-se só, por isso criou a terra, sendo o Nilo o rio divino e a fonte da vida.
Os chamados "povos do mar", no século XV a.C., foram os predecessores dos povos gregos. As suas fábulas, parábolas, mitos e lendas estão pejadas de referências ao mar. Veja-se o mar sombrio de Homero, na Ilíada e na Odisseia.
O tempo passou e os registos escritos expandem-se. No Timeu e no Crítias, Platão trouxe ao mundo a história do continente perdido da Atlântida. Segundo a lenda da fundação de Lisboa, foi o herói Ulisses que, ao chegar ao porto na foz do Tejo, fundou Olisipo que, como sabemos, se tornou uma das cidades mais importantes da europa ocidental. Nas Mil e uma noites, um coletânea de fascinantes histórias da tradição oral, da cultura árabe, Sinbad, um dos seus heróis, viaja pelos mares sem fim, chegando mesmo a atracar no dorso de uma baleia gigante. Camões sofreu no próprio corpo as suas narrativas marítimas n´Os Lusíadas e Vasco da Gama vence dois oceanos de uma só vez: o Atlântico e o Índico. Fernão Mendes Pinto na Peregrinação conta a experiência de um tempo de mar, no oriente, feito de muitas descobertas e de muitas contradições. No romance de Júlio Verne, Vinte Mil Léguas Submarinas, em companhia do Capitão Nemo, podemos ler as melhores descrições da vida submarina, com peixes, mamíferos e moluscos, dos diversos oceanos e mares terrestres. Com Herman Melville, autor de Moby Dick, ficamos prisioneiros do mar com o capitão Ahab, que perdendo a sua alma, nos transporta para uma enorme tragédia, no baleeiro Essex.
Já no século XX, Fernando Pessoa, usa a temática do mar nalgumas poesias. A obra Mensagem é uma epopeia lírica que, em especial n´O Mostrengo, nos apresenta simbolicamente os obstáculos, os perigos e os medos que os portugueses tiveram que enfrentar para realizar o seu sonho marítimo.
O mar e a sua fauna vivem esplendorosamente nas páginas de O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Aqui ficamos a saber que por muitas adversidades que nos possam aparecer no caminho, nunca devemos desistir.
O mar...

9 de agosto de 2014

Preparativos para a pesca


Já estou preparado para ir ao mar. Gastei uma tardes por inteiro. Montagens paternoster, com dois estralhos, para surfcasting.

Primeiro as madres, com fio 0,45mm. Começar com o engate e executar o nó trilene. Depois nó de oito, missanga, destorcedor, missanga e nó de oito. Mais ao fundo nó de oito, missanga, destorcedor, missanga e nó de oito. Por fim um destorcedor maior, com nó trilene, para ligar à chumbada.
Depois os estralhos com fio 0,35mm, de fluorcarboneto. Primeiro o superior. Começar com o nó snell, para unir o fio ao anzól. Missanga florescente, tubo florescente, missanga e nó de oito. Por fim ligar, com nó trilene, o estralho ao destorcedor da madre. Para ultimar a montagem executar o estralho inferior. Começar com o nó snell, para unir o fio ao anzól. Missanga, tubo florescente, missanga e nó de oito. Por fim ligar, com nó trilene, o estralho ao destorcedor da madre.
Com calma utilizar um enrolador, para manter a montagem devidamente acondicionada.
Fiz seis montagens completas e quatro estralhos suplementares. Devem chegar para uma primeira abordagem à pesca de surfcasting.

8 de agosto de 2014

Ordem

Organização. Tecer cada fio do dia, momentos de tempo e parcelas de espaço, até que nada reste para preencher. Um dia inteiro sem que caiba mais nada. Uma simples palavra. Estudar cada acção e cada conceito, prever qualquer interferência, e encerrar o risco de alteração. Tudo é controlado, mesmo a imaginação. Um fechamento. Qualquer escolha é inútil. A liberdade agrilhoada na preparação plena. Nada há a pensar. Tudo está decidido. Um terreno mental sem desvios. Concentração máxima no mesmo assunto.

7 de agosto de 2014

A excelência

“A excelência é uma arte aprendida com treino e repetição. Não agimos da forma correta por virtude ou primazia; adquirimos tais características ao agirmos corretamente. Somos o que fazemos repetidas vezes. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.”
Aristóteles

5 de agosto de 2014

Os trabalhos na vida

“Daqui por um lado tomem os homens motivo de não desanimarem com os trabalhos da vida para deixarem de fazer o que devem, porque não há nenhuns, por grandes que sejam, com que não possa a natureza humana, ajudada do favor divino, e por outro me ajudem a dar graças ao Senhor omnipotente por usar comigo da sua infinita misericórdia, apesar de todos os meus pecados, porque eu entendo que deles me nasceram todos os males que por mim passaram, e dela as forças e o ânimo para os poder passar e escapar deles com vida.” 
Fernão Mendes Pinto

4 de agosto de 2014

Ler

Numa rajada de vento, de duas horas, li "O velho e o mar", de Ernest Hemingway. É um texto admirável sobre a dignidade da pessoa e o respeito pelo mundo à nossa volta.

3 de agosto de 2014

Ler e praticar...


Já tinha pescado a bordo do Pequod, com o capitão Ahab, de Herman Melville. Andei "No coração do Mar", de Nathaniel Philbrick, salvando-me no limite da capacidade humana. Na "Odisseia", ouvi o canto das sereias, amarrado ao mastro principal. Por ordens de D. João II, corri até ao fim do mar e temi o mostrengo. Tenho "O velho e o mar", de Hemingway, na mesinha de cabeceira.
No entanto não estamos preparados para pesqueiros, estralhos, fios, carretos, surfcasting, montagem de madres, bóias, missangas, chumbadas, anzóis, rolamentos, nós, controlo de travagem, lançamentos, ponteira, carbono, passadores, starlight... E, e sobre os nomes dos peixes, falamos outro dia.

31 de julho de 2014

Será que uma pessoa letrada tem a capacidade de medir o mundo, abstendo-se de ser com os outros?

Das conversas com muitos colegas e amigos posso retirar a conclusão que as Humanidades são determinantes para os alunos e para as escolas. Mais, elas são a base mínima de formação do ser humano. Mais grave ainda, nunca conversei com alguém que opinasse o contrário.
No entanto, nos últimos anos e de forma cíclica, há uma certa negligência na defesa das Humanidades, já que ficamos colocados numa posição defensiva. O seu valor instrumental é questionado. A sua irrelevância é amplificada. Cada vez é menor o financiamento das Humanidades. Comprometem-se os projetos de investigação científica das Humanidades. Inscrevem-se cada vez menos alunos nos cursos de Humanidades. Não será que esta contradição não assenta no fato de, numa interpretação puramente capitalista, as Humanidades não incrementarem a produtividade económica, formarem um livre e informado espírito critico e valorizarem uma moral que reduz a discriminação?
Nestes tempos difíceis as Humanidades devem justificar o seu valor. E justificam. As humanidades aportam as competências para o crescimento pessoal e a partilha de um espírito crítico no interior da democracia, independentemente da carreira profissional escolhida. E este é o único significado da questão «o que é o ser humano?».
Aproximemo-nos do problema. Passados alguns momentos críticos, ultrapassados pela espécie, o ideal humanista, como referência da cultura ocidental, passou a partilhar a sua vantagem cultural com outros modelos de referência. O desenvolvimento tecnológico e capitalista acomodaram-se e afastaram-se do estudo das Humanidades. Ultimamente o problema tem sido colocada mas, aqueles que lideram a educação, argumentam que as Humanidades têm que abandonar os seus antigos ideais e utópicos do mundo e começar a privilegiar os aspetos económicos e práticos da questão. Fomos colocados, então, perante a maior contradição humana: a separação entre as Humanidades e a Ciência e ou entre as pessoas e os profissionais.
O cidadão livre, em democracia, tem a palavra. As Humanidades devem estar na linha da frente, como referência da crítica e da irreverência. É necessário que a nossa juventude reaprenda a dar valor à literatura, às artes, à filosofia, à história e a todos os outros saberes associados ao homem, enquanto pessoa. O futuro está aí e, se a rudeza científica imperar, não encontramos novas possibilidades futuras, que criem e renovem o presente e o passado.
E não basta ensinar Humanidades, é necessário continuar a investigar nessa área. È fundamental continuar a estudar o homem. É bom aprender coisas novas.
E todos os investigadores, das Humanidades e da Ciência, devem possuir a competência crítica e inovadora, para obterem resultados finais favoráveis no seu trabalho. O ato de investigar, em todas as disciplinas, é comum e busca a partilha com o desconhecido. Ninguém sabe o que se vai descobrir, e essa é precisamente a questão. Afinal de contas, se soubéssemos com antecedência, rigorosamente, como é que um projeto de investigação pode ser partilhado com o homem, por que o teríamos de fazer?

Podemos medir o mundo mas a humanidade será sempre o crivo dessa objetividade.

30 de julho de 2014

Dolce fare niente


Ninguém consegue estar desperto durante o dia todo. Numa semana de trabalho temos de ter os nossos momentos de pausa. Num ano, há sempre umas semanas de ferias. O Homem não consegue absorver a realidade durante o tempo todo. Os deputados já foram de férias. Muitos vão carregar as baterias de litío para o Algarve. 
Eu gosto de aproveitar estes vazios para realizar atividades diferentes. Trabalhar em algo inútil: há alguma coisa melhor do que isto?

29 de julho de 2014

Acerca da pesca - Parte 1


A pedido de muitos, vou-me dedicar à pesca. E estava a pensar em comprar uma cana. É claro que não tenho dinheiro para uma Sert Sunset Hispex 4,50 mt, a melhor cana de Surf-Casting do Mundo...
Mas como espero ser um pescador amador, com grande potencial, quero ter a melhor cana possível, e por isso preciso de conselhos de todos os meus amigos...

28 de julho de 2014

Humanidades

"In our society (that is, advanced western society) we have lost even the pretence of a common culture. Persons educated with the greatest intensity we know can no longer communicate with each other on the plane of their major intellectual concern. This is serious for our creative, intellectual and, above all, our normal life. It is leading us to interpret the past wrongly, to misjudge the present, and to deny our hopes of the future. It is making it difficult or impossible for us to take good action."
C. P. Snow

26 de julho de 2014

Família

Hoje tive um final de tarde interessante: ouvir dizer sobre o meu filho, José Henrique, "o melhor central que por aqui passou na academia". E estas palavras são do técnico do S.C.P., que já não o via desde julho do ano passado.

25 de julho de 2014

Sobre as limpezas


Como estamos em tempo de férias, o que não é o meu caso, quero deixar aqui um conselho a todos os amigos. Abram as janelas e as portas e façam limpezas. Deitem todo o lixo fora: deixem entrar as novidades. Abram a boca e os olhos: deixem entrar o exterior e sair o interior. Virem-se do avesso. Temos que aproveitar os pequenos momentos de pausa para fazer a limpeza. Um após outro, o grão de pó associa-se e forma uma multidão. A sujidade avança sem perguntar. Sujar para limpar. Para que serviria a limpeza se não estivessem os recantos sujos?
Limpar bem. Esfregar as mais duradouras. Branco e mais branco.
Mas cuidado: ordenhar uma vaca à noite pode colocar-te na presença do famoso leite negro.

24 de julho de 2014

Acerca da luxúria natural...


A luxuria parece estar historicamente associada à gula e à soberba. Mas nos tempos da modernidade o consumismo veio renovar o conceito, tornando-o mais razoável. A mobilidade voraz determina o desejo de todo o consumidor.
Mas há que regressar ao presente e dizer: ver um morango maduro e vermelho, na horta, parece ser um luxo. É extraordinário o que a natureza oferece. É uma luxuria desigual: só alguns podem almejar comer aquele morango. Uma criança, com toda a certeza. Não se fica pelo olhar para tal objeto de desejo, trata-se do poder de o ter e de o digerir. Tirar o caule verde e saborear, comer.
Mas não criamos morangos, ajudamos a terra a partilhar o que tem de melhor. Não há qualquer luxo em apanhar o morango vermelho, ou aquele outro mirrado ou comido pelas formigas. Aceitamos o que a terra dá. E dá muito trabalho. O trabalho de estar a bem com a terra e com o melhor que podemos esperar dela. E ainda nem conversámos sobre os tomates...

23 de julho de 2014

Um noite de pesca na Praia dos Pinheirinhos

Praia dos Pinheirinhos / Grândola
Depois de um convite para umas horas de pesca, saímos de Alcácer do Sal ao final da tarde.
Após uma paragem na Carrasqueira, para comprar umas minhocas, dirigimos-nos de imediato para a Praia dos Pinheirinhos.
Ao chegarmos à praia verificámos que o mar não estava sujo e sem grande força, não restando dúvidas que valeria a pena desmontar o material para começar a pescar.
Entretanto, como havia mais alguns pescadores na praia, pensámos que tínhamos acertado. Aquela seria uma bela noite para apanhar uns sargos. 
Convencidos que o peixe por lá andaria, escolhemos os pesqueiros que melhor nos pareciam para pescar naquelas condições. Depois da montagem das cinco canas, iscaram-se com minhoca da Carrasqueira e coreana.
Depois foi esperar!
Os peixes picavam, as canas agitavam-se...
A partir daqui pode ria contar muitas «mentiras» de pescadores e caçadores, mas não será o caso.

Foi sem dúvida uma pescaria para recordar.

Praia dos Pinheirinhos


21 de julho de 2014

Ver mais longe...


Há místicos que conseguem ver o mar oceano num grão de arroz. Outros, pela simples confissão têm acesso direto ao céu. Ricardo III trocava o seu reino por um cavalo.
Como se vê, os objetos do mundo ativam a imaginação humana. Apesar do comprimento, largura e altura, da forma, cor e volume, os objetos poderiam ser classificados pelo seu potencial para alargar o mundo. Da imobilidade inicial constrói-se uma obra de engenharia racional. De uma simples letra pode-se elaborar um texto. O objeto observado transforma-se num imagem fantasiada.
Um autor que muito prezo, Júlio Cortazar, define esta capacidade de uma forma muito surpreendente. Ver como o "casuar". Olhar para uma pessoa, durante tanto tempo e de forma tão intensa, e criá-la desde o inicio. Uma invenção mental desde o nada ao ser. A origem da atenção. Ver pela primeira vez. Reunir toda a família em redor de um pirilampo para adivinhar o futuro. Uma ligação de liberdade.

20 de julho de 2014

Comparações

"Pode-se dizer que aquele que age perfeitamente é semelhante a um excelente geômetra, que sabe encontrar as melhores construções de um problema; a um bom arquiteto, que arranja o lugar e o alicerce, destinado ao edifício, da maneira mais vantajosa, nada deixando destoante ou destituído de toda beleza de que é suscetível; a um bom pai de família, que emprega os seus bens de forma a nada ter inculto nem estéril; a um maquinista habilidoso, que atinge o seu fim pelo caminho menos embaraçoso que se podia escolher; a um sábio autor, que encerra o máximo de realidade no mínimo possível de volumes." 
Leibniz

19 de julho de 2014

O colecionador de pijamas


Fazer uma coleção ajuda o homem a descobrir o mundo. Pois é. Por vezes, há muitas reticências em começar a colecionar alguma coisa, mas, como sabem, é sempre muito estimulante começar uma atividade. Colecionar exige disciplina: pesquisar, adquirir, trocar, pedir e cuidar dos objetos. É um excelente caminho para descobrir novos gostos e começar a aprofundar outros assuntos.
E é por acaso, ou talvez não, que se decide começar uma coleção de pijamas: reais e virtuais. A decisão de ir por diante é solitária, mas a paixão por esse objeto intimo é inovadora e determinante.
Portanto, se tens imagens tuas de pijama, principalmente modelados por um corpo feminino, podes enviar para engrandecer este post e a minha coleção.

Ps. Se quer guardar a sua intimidade, pode enviar por mensagem privada. Obrigado.

Da imaginação

Uma minúscula porta abre sempre novos mundos. Atravessar uma fenda escura pode levar à enormes distorções de luz. Não há que querer chegar a um fim. Há que continuar até ao pormenor da imaginação criadora. Não há olhar para conhecer mas olhar para o desconhecido. É sempre uma verdadeira irresponsabilidade, já que se engrandece o mundo. Já repararam que podem alterar as dimensões dos objectos, através da imaginação?

17 de julho de 2014

Viajar pelas palavras...

Viajar através das palavras pode significar ingeri-las. Há que ser um verdadeiro detective para descobrir o paladar de um livro, apenas pelo seu aspecto exterior. Muito cuidado com as cores fluorescentes. Um leitor especial levanta o livro até ao nariz, para simplesmente o cheirar. Para vos dar uma ideia, apenas direi que há frases que têm o sabor de um café matinal. Entretanto o mundo exterior parece cada vez mais aborrecido: um bocejo e uma gota de suor.

15 de julho de 2014

Fazer uma biblioteca


Construir uma biblioteca é lutar contra o inverno da imaginação. Os livros são excelentes para acumular em casa. Montes de livros. Resmas de livros. Estantes. Salas inteiras. Autênticos celeiros.
Muitos que morrem, na aridez do espírito, não têm um livro à mão. Pura falta de imaginação. Falha de imagens deformadas e inovadoras sobre o mundo.

14 de julho de 2014

Mudança no topo

14 de Julho. Tomada da Bastilha. 14 de Julho. Tomada do Castelo. O povo e a burguesia estão de parabéns. A nobreza e o clero caíram. O rei morreu, viva a rainha. Mudam-se os tempos, mudam-se as escolhas. Cabeça levantada. Todos continuam a ser os mesmos. Ou não?

Passado, Presente e Futuro


Quando não sabemos o que fazer no futuro, o que sobra? Sobra o presente e o passado. O consumismo presente, emagrece as migalhas passadas. As ruínas passadas, não são toleráveis no futuro. Temos de projectar o amanhã, dar sentido às coisas que nos rodeiam. Valores.
Estamos fartos de colocar parênteses na vida. Estamos cansados de mais um ano zero. Como em muitas áreas sociais, quem já foi herói, agora é fraco. Os intocáveis tornam-se dispensáveis. Parece que tudo muda, para que tudo fique na mesma. Mudança.
Todos são e querem ser conhecidos por serem prudentes na forma como agem. Mesmo com o que se passa diante da sua porta de entrada. Fazem correr a ideia que conseguem decidir. Que agem, com o maior dos cuidados. Liderança.
Seja como for, logo voltaremos a encontrar-nos com os nossos problemas internos, face aos quais diremos que estamos impotentes. A crise vai persistir com os problemas colocados, com as fracturas estruturais e com tudo o que se sabe. Pior, só pode agravar-se se todos continuarem no seu entorpecimento e apatia. Realidade.
A Escola vai continuar a meia-haste.

11 de julho de 2014

Da verdade

"Como a verdade filosófica diz respeito ao homem na sua singularidade, ela é não política por natureza. Se apesar disso o filósofo deseja ver prevalecer a sua verdade sobre as opiniões da multidão, sofrerá uma derrota, e é susceptível de concluir dessa derrota que a verdade é impotente". 
Hannah Arendt

10 de julho de 2014

«As Viríadas do Doutor Samuda», de Manuel Curado

O acontecimento literário do ano pode ter sido o lançamento de uma epopeia setecentista, «As Viríadas do Doutor Samuda», no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa. 
Esta obra era inédita, mas não se desconhecia a sua existência. Mas só depois de um grande trabalho, de cariz intelectual e científico", ela regressa a Portugal. «As Viríadas do Doutor Samuda» são cuidadosamente analisados pelo autor desta edição, Manuel Curado, professor de Filosofia da Universidade do Minho que, para além da riqueza e profundidade do trabalho executado, vem acrescentar uma epopeia à nossa Literatura.
Mas o sabor foi mais profundo dá-se quando surgiu Pedro Nunes: uma imagem no tecto do salão e uma sincera homenagem pelo que foi. E novidade, também foi médico, rabino e escrevia em hebraico.
Um dia bem passado entre a Gulbenkian, o Chiado e os Paços do concelho.

9 de julho de 2014

Sobre a mudança

«Sendo todas as coisas sujeitas a passar de uma mudança para outra, a razão, buscando nelas uma real subsistência, vê-se decepcionada, nada podendo apreender de subsistente e permanente”. 
Montaigne

8 de julho de 2014

Pink Floyd

Finalmente uma excelente notícia do mundo da música: os Pink Floyd vão lançar um novo albúm, em Outubro, com o nome de The Endless River.

6 de julho de 2014

Hybris

Na magna Grécia muitos acreditavam na seguinte máxima:“Quando os deuses querem destruir alguém, primeiro tornam-no louco”.
Segundo eles, uma das maneiras que os deuses tinham para aniquilarem uma pessoa era enchendo-a de êxitos, poder, prosperidade e fama. Estes «louvores» infundem uma confiança neles próprios tão desmesurada que, inevitavelmente, os leva a cometer erros e, geralmente, ao declínio. 
Para este descontrolo, para este egoísmo primário, para esta falta de meio termo, os gregos aplicavam um nome: «hybris», o crime do excesso e do ultraje.
Parece ser o caso de alguns banqueiros que, pensando que são deuses ultrapassam todos os limites. 
- Onde está o justo meio aristotélico?
Precisamos de pessoas justas que procurem o justo meio, que chamem a si as virtudes da moderação e da prudência, evitando a desigualdade extrema e a desproporção, que são, em geral, a causa da discórdia e da inveja entre os cidadão.

5 de julho de 2014

Surpresas políticas

O que realmente me surpreende é o desconhecimento dos cidadãos em relação ao funcionamento democrático, mesmo entre os universitários. Há lacunas profundas. Não entendem como funcionam os mecanismos políticos de uma democracia. E este facto deixa-me um pouco pessimista quanto à sua capacidade para ultrapassarem os desafios apresentados neste século.

4 de julho de 2014

Ter esperança

Aqui estou. Um ser, por natureza, muito optimista. Sempre na cabeça da revolta, mas sempre na brincadeira. Eu sei que poderia ter sido um louco qualquer, mas aqui estou. Enfim, a cada novo dia espero continuar cada vez mais inquieto. Inquieto com o desenvolvimento do mundo, inquieto com a diferença entre as pessoas. E, ao mesmo tempo, repleto de esperança.

Da Educação

A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens”.
Hannah Arendt

3 de julho de 2014

Conservar os temperos sempre frescos


Passos a seguir:
- Pique as ervas (manjericão, alecrim, sálvia, cebolinha, salsa, coentros, ...);
- Coloque numa bandeja de gelo, cobrindo 2/3 do espaço;
- Cubra com azeite ou mesmo com manteiga derretida (quase fria);
- Cubra com papel filme e coloque no frigorífico até congelarem.
- Quando cozinhar, basta retirar os cubinhos e utilizar… 

Uma Fábula


Há uma velha fábula que pode ser reconstruída do seguinte modo...
Um desempregado que devia algum dinheiro a um velho comerciante, concorda em resolver o débito com base na escolha de duas pedras, uma branca e outra preta, colocadas num saco. E o que é que valia este jogo? Se a sua filha tirasse a pedra branca, a sua dívida seria perdoada; Se tirasse a pedra preta, ela teria de casar com o banqueiro.
Quando chegou o momento, a filha do desempregado percebeu que o asqueroso do comerciante colocou duas pedras pretas no saco, mas ficou calada. Chegada a hora do sorteio, ela tira uma das pedras do saco mas... deixa-a cair no chão do pátio, cheio de outras pedras.
Nesse momento a filha do desempregado, de forma inocente, exclama:
- A pedra que tirei deve ser da cor contrária à da pedra que ficou no saco, não é?
E o velho comerciante, sem reacção e para não passar por desonesto, concordou com o que ela disse, e com o facto da divida ser perdoada.

2 de julho de 2014

Argentina - Suiça ... No Vaticano


Com a Filosofia

Enquanto os filósofos desconstroem o mundo, através de um longo processo de reflexão, a imagem é imediata. Os primeiros hesitam e são lentos, a última é instantânea e veloz.

1 de julho de 2014

30 de junho de 2014

De magistro

"O professor expõe, não o seu pensamento mas a sua disciplina: ciências, moral, filosofia. Depois, os alunos examinam por si mesmos se aquilo que lhes disseram é verdadeiro e contemplam assim, na medida das suas forças, a verdade interior. É então que se instruem". 
Sto. Agostinho

29 de junho de 2014

Da escrita

Hoje fiquei feliz. Fiquei a saber que estou na linha da tradição de grandes vultos da literatura mundial. Como muitos outros autores, adeptos da indolência, sempre fiz questão de não ultrapassar as minhas médias: uma linha por dia, sete por semana, um livro de oito em oito anos.

28 de junho de 2014

Acerca de Deus

Se existir Deus ao menos que faça sentido, nem que seja com um anzol de pesca.

27 de junho de 2014

Ser e mudar

"Eu sempre quis saber porque é que os pássaros optam por ficar no mesmo sítio, quando poderiam voar para qualquer outro lugar da terra. Depois faço a mesma pergunta, mas acerca de mim."
 Harun Yahya

26 de junho de 2014

Procurar sentido para as coisas


Distraído por vários assuntos realmente importantes, poderei ter uma vida inacabada. Várias pretensões, que se sobrepõem e opõem, transportam-me para uma duração plena de incertezas. As diferenças entre a ética e a realidade aprofundam-se, entrechocando com tal violência e com consequências tão profundas que, nestes dias como há mais de sete mil anos, todo o futuro me parece premente e insolúvel.
Só a vida com os outros é redentora. Todavia também este é um caminho difícil. Como um oleiro, tentarei criar peças com bom uso, em vez de outras de uso vil. Haja sentido para as coisas.

25 de junho de 2014

Falar

"Que te parece que queremos levar a efeito, quando falamos?"
 Sto. Agostinho

Augustine


Hoje vou ver este filme «Augustine: The Decline of the Roman Empire».

24 de junho de 2014

Das ligações

Apesar de a filosofia, a ciência e a arte interagirem em muitos níveis diferentes, nem sempre esta relação é reconhecida.

Regresso

"Home Sweet Home"

23 de junho de 2014

Sobre a chuva no Verão

Sou, por natureza, muito optimista. Estive a conversar com o S. Pedro. Eu argumentei. Ele prometeu.

22 de junho de 2014

19 de junho de 2014

Do futuro...

O tempo futuro é inevitavelmente afectado pelo tempo presente. Um contínuo sendo. Potência e acto. A gravidez do hoje da qual nascerá o amanhã. A expectativa e a antecipação. Uma despedida que olha em frente. Tempo de nascimento. A novidade, a origem.

16 de junho de 2014

13 de junho de 2014

Final d´A Relíquia

Acabei de ler a história do raposão. Afinal o Sr. Raposo deixou de ser hipócrita, estabeleceu-se e, no final, ficou rico como os outros.

12 de junho de 2014

Início do livro...

Ontem comecei a ler um bestseller internacional que começa assim: "Quando fiz onze anos parti o meu mealheiro e fui às putas". Podem tentar dizer qual é o livro...

11 de junho de 2014

O livro e a vida


Hoje decidi escrever, mais uma vez, sobre um tema que abrange tudo e todos: o livro. O livro é partilha: fiz alguns dos melhores amigos a trocar livros, a falar sobre livros e, mais que tudo, comecei a namorar com um livro de Choderlos de Laclos. É através do livro que faço, que me exprimo e que conto histórias. É através dos livros que partilho pequenos segredos, sem ninguém saber, como é o caso de Charles Baudelaire. É o livro que me faz rir, que mistura as minhas emoções e que me leva a divagar sobre locais e paisagens.
Mas o livro não é solidão. O livro partilha-se com o autor e com os amigos.
Ler um livro é colocar as faculdades em movimento. É imaginar um momento de emoção entre amigos, um momento de amor entre amantes, um jantar onde se partilham histórias. Em cada livro que leio deposito um pouco de mim. Em cada livro que leio há um mundo que me acrescenta.
O meu caminho é marcado pelo livro e é por ele que aqui estou a escrever estas palavras.

10 de junho de 2014

Hegel

"Sócrates é a semente; Platão é a flor; Aristoteles o fruto... E desta árvore, assim completa, se tem nutrido o espírito humano".
Eça de Queirós

9 de junho de 2014

Questões

Será que Eça de Queirós, n'A Relíquia, pensava que o daimon de Sócrates, que "tão divina e puramente o governava", era uma voz vinda de Sião, inspirada pelo espírito do Senhor?

6 de junho de 2014

Máscaras

«Toda a acção é necessariamente mal conhecida. Para que não expressemos contradições de momento a momento, precisamos de uma máscara - como acontece se quisermos ser sedutores. Mas é preferível conviver com os que mentem conscientemente, porque esses também sabem ser verdadeiros conscientemente. Porque, a sinceridade habitual não passa de uma máscara, da qual não temos consciência.»
F. Nietzsche

4 de junho de 2014

Imagens

«Com certeza não eram gigantes que o cavaleiro da triste figura mostrava ao seu fiel escudeiro Sancho Pança, eram moinhos de vento! (…)».
M. Cervantes

3 de junho de 2014

1 de junho de 2014

Preconceitos


Todos temos os nossos preconceitos. É claro que eu também tenho os meus. Sempre fui dizendo que não lia nem mulheres nem portugueses. Que erro.
Mas pronto. Venho informar que me encontro a ler "A Relíquia", do Eça de Queirós.

30 de maio de 2014

Coisas do campo...

Devemos compreender que se somos gentes do campo, ainda que aburguesados, vivemos sempre recolhidos em longínquas herdades ou montes umbráticos. Fora as funções familiares, a leitura, o jogo e os trabalhos no campo não se vê mais nada. Que coisas acerca do mundo poderá conhecer um homem do campo? Só deus sabe o esforço que tenho de fazer para estar próximo da realidade....

29 de maio de 2014

Ser outro

Tenho muitas dificuldades em ser outro. Mas vou dar um tempo. A paciência é uma das virtudes dos jovens.

28 de maio de 2014

A Europa precisa de um herói romântico...


Ser e dizer

Entre o que acontece e o que se conta depois, há sempre uma certa diferença. Pouco importa que os factos tenham acontecido ou não. Se as coisas não se passaram assim, caso a caso, pelo menos elas podiam ter acontecido ou poderão ainda acontecer.

27 de maio de 2014

Europa

Todas as nuvens negras que percorrem a Europa não podem acabar com a primavera da democracia.

Do estado do mundo

O estado de coisas do mundo anda muito confuso. Não é raro encontrar nomes, pensamentos, formas e instituições que não correspondem a nada real. Há um certo vazio e ridículo. É uma época onde a potência e a vontade de ser acaba por esbarrar nos seus próprios limites. Muitos não fazem nada, por miséria ou por ignorância, e outros apenas favorecem o seu bem-estar. Uma consciência diluída. Uma máscara vazia. Um homem inexistente.

25 de maio de 2014

Acerca da lentidão

Existe um certo modo de olhar. Não ter pressa. Não chegar demasiado cedo. Quanto ao resto, permanece em suspenso a vinte mil léguas submarinas.

22 de maio de 2014

Acção

Por vezes, só à custa de um supremo esforço consigo não estar ensonado. Então ponho-me a contar: letras, palavras, linhas, parágrafos, qualquer coisa que esteja à minha frente; ou procuro aplicações, ordeno-as por ordem cronológica ou por ordem alfabética. Aplicar-me a estas operações meticulosas permite-me vencer o mal-estar, dominar a inquietação, o marasmo, e encontrar a lucidez e compostura habituais.

21 de maio de 2014

Da doença...

I swear to you gentlemen, that to be overly conscious is a sickness, a real, thorough sickness.”
Fyodor Dostoyevsky

20 de maio de 2014

19 de maio de 2014

Estimulem-me...

Conhecem algum método de estimulação espiritual? Há quem fale da leitura e da observação. Outros indicam o penteado e o gorro de lã.

18 de maio de 2014

Sem garantias...

Foi-me garantido em Samarcanda, por um italiano meu conhecido e homem de mil saberes, que, dada a disparidade de argumentos, o espírito não tem a possibilidade de vir a ser introduzido nas modernas assembleias já que são constituídas por homens de grande inspiração.

17 de maio de 2014

Mudanças...


Chegada a hora, que já deveria ter sido há mil dias, cabe-me, à maneira de outros heróis, implorar que me sejam concedidas a força e a coragem para levar a cabo esta tarefa com sucesso. Dizei-me também como devo avançar: pela escuridão da noite ou pela luz do dia?
O meu escudo está preparado e mesmo os dardos, lançados com a maior violência, quebrarão a ponta na sua folha metálica. A minha rapidez será maior do que o seu ruído.

16 de maio de 2014

Pensar o fim de semana...

«Se algo é difícil de fazer, então não vale a pena ser feito
Homer Simpson

15 de maio de 2014

Pelo Alentejo

Se somos homens do campo e alentejanos, mesmo que aburguesados, vivemos sempre recolhidos nos nossos montes e a caminhar entre azinhagas. Fora os trabalhos do campo, a poda de umas laranjeiras, a apanha do canivete, a caça ao javali, umas funções religiosas, nós não fazemos quase nada.

14 de maio de 2014

Artes...

Tenho o direito de pintar fora dos traços. Sentir a ferida no pé e a cor dos cabelos. Pé, cabelo e... E onde se localiza o direito de pintar?

12 de maio de 2014

Medicina Moral

No reino da medicina moral já foram receitadas asas de anjo que, depois de bem instaladas nas costas do paciente, têm ajudado na construção de um mundo melhor.

11 de maio de 2014

Exageros sobre a morte

Aquela senhora tinhas as unhas tão pintadas de branco que podia morrer a qualquer momento.

10 de maio de 2014

9 de maio de 2014

Questões

Todos nos repetimos a publicar, no nosso blogue, frases célebres e informações significativas. Mas se a linguagem matemática é alegadamente uma referência dos modelos explicativos e de resistência aos caos do mundo, porque não publicamos teoremas matemáticos e cálculos de derivadas?

8 de maio de 2014

6 de maio de 2014

Pensar e agir...

Será que é preciso que o meu pensamento dê um pontapé na bola para eu aprender a dar um pontapé na bola?

4 de maio de 2014

Dia da Mãe

Oração a divina Mãe

Virgem Mãe, filha de teu Filho,
humilde e alta mais que qualquer criatura,
termo prefixado de eterno desígnio,

Tu és aquela que a natureza humana
enobreceste de tal forma, que seu Criador
não desdenhou fazer-se sua criatura.

Em teu ventre reacendeu-se o amor,
por cujo calor na eterna paz
assim germinou esta flor.

Aqui és para nós luz meridiana
de caridade; e embaixo, entre os mortais,
és fonte vivaz de esperança.

Mulher, és tão grande e tanto vales,
que quem deseja graças, e a ti não recorre,
é como alguém que desejasse voar sem asas.

A tua benignidade não apenas socorre
quem pede, mas muitas vezes livremente
e antecipa ao pedido.

Em ti, misericórdia, em ti, piedade,
em ti, magnificência, em ti se coaduna todo o bem
que existe nas criaturas.


Dante Alighieri -A Divina Comédia