30 de abril de 2014

O mesmo...

"Por que é que a minha mão direita não pode dar dinheiro à minha mão esquerda".
L. Wittgenstein

29 de abril de 2014

28 de abril de 2014

RIP - Vasco Graça Moura

Pelo imenso respeito que tenho por Dante, quero deixar aqui uma nota de apreço ao seu tradutor: Vasco Graça Moura!

Eu...

«O mais esperto dos homens é aquele que, pelo menos no meu parecer, espontâneamente, uma vez por mês, no mínimo, se chama a si mesmo asno..., coisa que hoje em dia constitui uma raridade inaudita. Outrora dizia-se do burro, pelo menos uma vez por ano, que ele o era, de facto; mas hoje... nada disso. E a tal ponto tudo hoje está mudado que, valha-me Deus!, não há maneira certa de distinguirmos o homem de talento do imbecil. Coisa que, naturalmente, obedece a um propósito».
F. Dostoievski

22 de abril de 2014

A ter muita atenção


«Tantas vezes havia ele escutado estas coisas, que já não lhes encontrava nenhuma originalidade. Emma assemelhava-se a todas as amantes; e o encanto da novidade, pouco a pouco, caindo como a roupa que se despe, deixava a nu a eterna monotonia da paixão, que tem sempre as mesmas formas e a mesma linguagem. Rodolphe, um homem com tanta prática, não distinguia a diferença de sentimentos na semelhança das expressões. Porque lábios libertinos ou venais lhe haviam murmurado frases do mesmo género, só muito vagamente acreditava na ingenuidade daquelas; era preciso dar o desconto, pensava ele, aos discursos exagerados que escondem afeições medíocres; como se a plenitude da alma não transbordasse por vezes nas metáforas mais ocas, já que jamais alguém pôde dar a exacta medida das suas necessidades, ou das suas concepções, ou das suas dores, e que a palavra humana é como um caldeirão rachado em que se batem melodias para fazer dançar ursos, quando o que se pretendia era enternecer as estrelas.»
Gustave Flaubert, Madame Bovary

21 de abril de 2014

Um bolo e quatro velas

Quando acendemos e sopramos as velas do nosso bolo de aniversário deveríamos dar muito atenção ao que estamos e queremos festejar. Olhar para um bolo recheado de chocolate e com quatro décadas de velas pode oferecer-nos milhares de farrapos fragmentados da consciência. Nem mais nem menos do que a capacidade de recordar o que somos e o que fizemos. Nem mais nem menos do que partilhar a capacidade e a faculdade de ser humano.

18 de abril de 2014

O impossível

"Não é talvez aquele que sabe que não é possível, que o faz na mesma?". 
Confúcio

16 de abril de 2014

Escolas


"Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado." 
Ruben Alves

11 de abril de 2014

Dos erros

"A vida tem erros mais interessantes do que a maior das certezas. Por exemplo, se no Jardim do Paraíso o casal fundador não tivesse ouvido com interesse a sugestão da serpente, estaria neste momento a morrer de tédio. O seu erro foi magnífico." 
Manuel Curado

10 de abril de 2014

A mediocridade

O amor apaixonado pela mediocridade, seja lá qual for a sua origem, só nos pode transportar para a supérflua mediocridade.

9 de abril de 2014

Da nossa terra

O tinto “Cavalo Maluco 2009”, da Herdade do Portocarro, de Alcácer do Sal, foi considerado o melhor vinho tinto português no Vestigius Wine Bar.


8 de abril de 2014

Sobre o descanso

Não te preocupes quando insinuam que passas muito tempo a descansar. Principalmente quando ninguém diz que tens alguma coisa a fazer.

7 de abril de 2014

A propósito das avaliações dos alunos...

«A ética não se pode ensinar com lições de moral. Deve formar-se nas mentes a partir da consciência que o ser humano tem ao ser ao mesmo tempo indivíduo, parte de uma sociedade e a parte de uma espécie. De igual modo o desenvolvimento humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e a consciência de pertencer à mesma espécie.»

 Edgar Morin

6 de abril de 2014

A vergonha da fome...

Depois de ler alguns dados do INE e de ouvir o P.P. Coelho a dizer que é para manter a política e que estamos no bom caminho... aconselho as direcções das escolas a colocarem uma cesta de fruta no bar, para que muitos possam estar nas salas de aula com a barriga preenchida...

Compilação dos Exames Nacionais de Filosofia

5 de abril de 2014

Futebol na TV

Continuo sentado. Umas vezes mais enterrado no sofá, outras mais subido. Sem grande execução. Uma traição ao próprio sofá. Respirando cada vez melhor. Não parece nada fácil. Amorfo. Muito complicado. Com poucos argumentos. Um tempo pouco feliz. Um entra e sai. Poucas alterações. Não vai à primeira vai à segunda. Pouco madrugador. Mas já não chega. É evidente que não é intencional. Uma tarde inteira nisto. Mas que não é ao melhor nível. Tudo na mesma.

3 de abril de 2014

Inovar

Talvez na poesia se exijam frases únicas. No campo da prosa apenas se admite um certo talento para trabalhar a linguagem. Um esforço de juntar palavras. Um cansaço para ligar frases. E para quê alargar demais o texto, quando podemos dizer tudo em pouco mais que nada? Há também algumas frases que provoca um certa fadiga aos seus leitores.

Tolerância


2 de abril de 2014

Sobre o tempo...

Quando agimos, no exacto momento da criação ou do desenvolvimento da acção, podemos decidir sobre o tempo da duração do seu produto. Quando fazemos prometemos tempo. Fazer uma "massa de peixe" para ser digerida daqui a uma horas. Plantar umas alfaces para serem colhidas daqui a uns meses. Construir uma moldura que se quebrará daqui a uns anos. Constituir uma família por umas décadas. Todos sabemos a duração da vida das coisas. Todos sabemos a duração da vida das pessoas.

1 de abril de 2014

Da linguagem política...


As palavras do nosso sistema democrático formam um verdadeiro tratado de horrores, um feroz e hilariante relatório de psicanálise clínica sobre os nossos políticos. As palavras vão-se amontoando, adulterando, estropiando e esmagando num processo falsificador e letal. Estas palavras contaminadas assassinam a própria realidade. As palavras tornaram-se leves como uma pena mas derrubam quem as usar. As palavras são rasgadas e libertam a mentira que se dissemina como uma epidemia. Jogar com a linguagem só pode levar á sua destruição. É a explosão de uma irracionalidade que engole todos os que a usam. Uma verdadeira trapalhada de palhaços. Uma canalhice. Uma ilegalidade. Uma autentica paródia em si mesma.
E esta morte da palavra, desta miserável retórica negra, transportar-nos-à em breve para o final deste sistema político, sendo urgente um novo mundo e um novo homem.

Mentiras