24 de julho de 2014

Acerca da luxúria natural...


A luxuria parece estar historicamente associada à gula e à soberba. Mas nos tempos da modernidade o consumismo veio renovar o conceito, tornando-o mais razoável. A mobilidade voraz determina o desejo de todo o consumidor.
Mas há que regressar ao presente e dizer: ver um morango maduro e vermelho, na horta, parece ser um luxo. É extraordinário o que a natureza oferece. É uma luxuria desigual: só alguns podem almejar comer aquele morango. Uma criança, com toda a certeza. Não se fica pelo olhar para tal objeto de desejo, trata-se do poder de o ter e de o digerir. Tirar o caule verde e saborear, comer.
Mas não criamos morangos, ajudamos a terra a partilhar o que tem de melhor. Não há qualquer luxo em apanhar o morango vermelho, ou aquele outro mirrado ou comido pelas formigas. Aceitamos o que a terra dá. E dá muito trabalho. O trabalho de estar a bem com a terra e com o melhor que podemos esperar dela. E ainda nem conversámos sobre os tomates...

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