31 de julho de 2014

Será que uma pessoa letrada tem a capacidade de medir o mundo, abstendo-se de ser com os outros?

Das conversas com muitos colegas e amigos posso retirar a conclusão que as Humanidades são determinantes para os alunos e para as escolas. Mais, elas são a base mínima de formação do ser humano. Mais grave ainda, nunca conversei com alguém que opinasse o contrário.
No entanto, nos últimos anos e de forma cíclica, há uma certa negligência na defesa das Humanidades, já que ficamos colocados numa posição defensiva. O seu valor instrumental é questionado. A sua irrelevância é amplificada. Cada vez é menor o financiamento das Humanidades. Comprometem-se os projetos de investigação científica das Humanidades. Inscrevem-se cada vez menos alunos nos cursos de Humanidades. Não será que esta contradição não assenta no fato de, numa interpretação puramente capitalista, as Humanidades não incrementarem a produtividade económica, formarem um livre e informado espírito critico e valorizarem uma moral que reduz a discriminação?
Nestes tempos difíceis as Humanidades devem justificar o seu valor. E justificam. As humanidades aportam as competências para o crescimento pessoal e a partilha de um espírito crítico no interior da democracia, independentemente da carreira profissional escolhida. E este é o único significado da questão «o que é o ser humano?».
Aproximemo-nos do problema. Passados alguns momentos críticos, ultrapassados pela espécie, o ideal humanista, como referência da cultura ocidental, passou a partilhar a sua vantagem cultural com outros modelos de referência. O desenvolvimento tecnológico e capitalista acomodaram-se e afastaram-se do estudo das Humanidades. Ultimamente o problema tem sido colocada mas, aqueles que lideram a educação, argumentam que as Humanidades têm que abandonar os seus antigos ideais e utópicos do mundo e começar a privilegiar os aspetos económicos e práticos da questão. Fomos colocados, então, perante a maior contradição humana: a separação entre as Humanidades e a Ciência e ou entre as pessoas e os profissionais.
O cidadão livre, em democracia, tem a palavra. As Humanidades devem estar na linha da frente, como referência da crítica e da irreverência. É necessário que a nossa juventude reaprenda a dar valor à literatura, às artes, à filosofia, à história e a todos os outros saberes associados ao homem, enquanto pessoa. O futuro está aí e, se a rudeza científica imperar, não encontramos novas possibilidades futuras, que criem e renovem o presente e o passado.
E não basta ensinar Humanidades, é necessário continuar a investigar nessa área. È fundamental continuar a estudar o homem. É bom aprender coisas novas.
E todos os investigadores, das Humanidades e da Ciência, devem possuir a competência crítica e inovadora, para obterem resultados finais favoráveis no seu trabalho. O ato de investigar, em todas as disciplinas, é comum e busca a partilha com o desconhecido. Ninguém sabe o que se vai descobrir, e essa é precisamente a questão. Afinal de contas, se soubéssemos com antecedência, rigorosamente, como é que um projeto de investigação pode ser partilhado com o homem, por que o teríamos de fazer?

Podemos medir o mundo mas a humanidade será sempre o crivo dessa objetividade.

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