21 de julho de 2014

Ver mais longe...


Há místicos que conseguem ver o mar oceano num grão de arroz. Outros, pela simples confissão têm acesso direto ao céu. Ricardo III trocava o seu reino por um cavalo.
Como se vê, os objetos do mundo ativam a imaginação humana. Apesar do comprimento, largura e altura, da forma, cor e volume, os objetos poderiam ser classificados pelo seu potencial para alargar o mundo. Da imobilidade inicial constrói-se uma obra de engenharia racional. De uma simples letra pode-se elaborar um texto. O objeto observado transforma-se num imagem fantasiada.
Um autor que muito prezo, Júlio Cortazar, define esta capacidade de uma forma muito surpreendente. Ver como o "casuar". Olhar para uma pessoa, durante tanto tempo e de forma tão intensa, e criá-la desde o inicio. Uma invenção mental desde o nada ao ser. A origem da atenção. Ver pela primeira vez. Reunir toda a família em redor de um pirilampo para adivinhar o futuro. Uma ligação de liberdade.

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