30 de agosto de 2014

Atrasos

Claro que está a ir longe de mais: a senhora Patton continua a cavalgar as suas ferias.

28 de agosto de 2014

da liberdade


«Angustiado, o discípulo foi visitar o seu mentor espiritual e perguntou-lhe com uma voz desanimada: 
- Como me posso libertar, venerado mestre?
O preceptor respondeu:
- Meu amigo, e quem é que te prende senão a tua mente?»
In Ramiro Calle

25 de agosto de 2014

Da ignorância

Apesar de António Aleixo já ter abordado o tema numa das suas quadras, não quero deixar de Vos confessar: Que os Deuses nos protejam! Há por aí algumas pessoas tão doutas que têm uma tal sincera ignorância, que seria uma pena trocá-la por conhecimento. Não é sempre que estamos diante de uma tão valiosa genuinidade.

24 de agosto de 2014

Posturas corporais

"Porque é que um Homem olha para o céu quando está a imaginar coisas, e para o chão quando está a pensar no passado?"
Aristoteles

21 de agosto de 2014

Beira-mar

“Estar (...) à beira-mar a olhar para ocidente enquanto o Sol se põe no Atlântico é partilhar uma experiência humana intemporal” 
Cunliffe

13 de agosto de 2014

O melhor para a pesca


Afinal, quais são as condições atmosféricas para uma boa pescaria?
Vento do sul traz água quente e limpa e é favorável à pesca. Mas são os ventos do su(d)este, que estão associados às trovoadas, e que revolvem o mar, que os peixes mais gostam. E que significa este revolver do mar? Significam que as águas superficiais são afastadas e trazem à superfície águas profundas que transportam os nutrientes que estavam depositados no fundo.
As marés podem ser definidas como o aumento e diminuição do volume das águas num local, que por influência do sol e da lua, sobem e descem duas vezes no período de 24 horas. Ora, a enchente, com a duração de seis horas, em que o mar é revolvido e o peixe tende a aproximar-se da costa, que vem a culminar na praia mar, é uma boa ou mesmo a melhor oportunidade de fazer uns lançamentos.
A luz da lua também pode ser um dado a ter em conta. E sobre este aspecto, baseado na experiência de séculos, podemos afirmar que a lua nova e o quarto crescente são os momentos certos para pescar. Mas cuidado: há que consultar as tabelas e escolher os melhores dias. Numa estamos todos de acordo: nunca pesques no sexto dia de lua nova.
Um aumento ou uma alta pressão atmosférica são ideais para a pesca. Quanto menor a temperatura, a humidade e a altitude e maior a densidade do ar, maior a pressão atmosférica. Em, particular, a densidade do ar aumenta com em baixa altitude e temperaturas baixas. Mas não pensem que são os valores da pressão atmosférica que prejudicam a pescaria, mas sim as alterações bruscas dessa mesma pressão.
Depois de vistas todas estas condicionantes, qual é, afinal, o momento adequado para pescar?

12 de agosto de 2014

O Captain! My Captain!

O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done; 
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won; 
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
Walt Whitman

11 de agosto de 2014

O Mar

“O Mar, este ser mutável e informe, funda a Linhagem dos que se marcam predominantemente por essa natureza primordial do Mar. A variabilidade, as transformações, o disforme e a imensidade são traços pertinentes, sob aspetos positivos ou negativos, desta Linhagem. Os aspetos positivos do Mar exprimem-se em Nereu e nas Nereidas. A navegação propícia, fonte de riquezas, ligação e caminho entre as terras, os ingredientes marinhos das belas paisagens mediterrâneas, tudo isso se revela nos nomes das Nereidas; — e não só isso: mutável, imenso e informe, o Mar representa também um tipo de sabedoria de inesgotáveis recursos, que prevê o imprevisível, que enxerga o recôndito e o inescrutável; — em suma: uma consciência que, como o Mar, domina, em todas as suas dimensões, a amplidão temporal e espacial.” 
Hesíodo

10 de agosto de 2014

O mar...

O mar...
O tema do mar sempre fez parte da literatura. Desde o início dos tempos, o mar é largamente cantado por poetas entre outros amantes da sabedoria. O mar é um símbolo universal, das águas primeiras, da génese de todas as coisas.
Segundo a Bíblia,  Deus criou o Céu e a Terra, em seguida, no primeiro dia separou a luz das trevas e no segundo dia afastou as águas das águas, formando as águas terrestres e as águas celestes. Na cosmogonia dos Vedas da tradição bramânica, o Caos aquático precedeu a Criação. Para os egípcios, Nun dormia como a água escura e parada. Ao acordar encontrou-se só, por isso criou a terra, sendo o Nilo o rio divino e a fonte da vida.
Os chamados "povos do mar", no século XV a.C., foram os predecessores dos povos gregos. As suas fábulas, parábolas, mitos e lendas estão pejadas de referências ao mar. Veja-se o mar sombrio de Homero, na Ilíada e na Odisseia.
O tempo passou e os registos escritos expandem-se. No Timeu e no Crítias, Platão trouxe ao mundo a história do continente perdido da Atlântida. Segundo a lenda da fundação de Lisboa, foi o herói Ulisses que, ao chegar ao porto na foz do Tejo, fundou Olisipo que, como sabemos, se tornou uma das cidades mais importantes da europa ocidental. Nas Mil e uma noites, um coletânea de fascinantes histórias da tradição oral, da cultura árabe, Sinbad, um dos seus heróis, viaja pelos mares sem fim, chegando mesmo a atracar no dorso de uma baleia gigante. Camões sofreu no próprio corpo as suas narrativas marítimas n´Os Lusíadas e Vasco da Gama vence dois oceanos de uma só vez: o Atlântico e o Índico. Fernão Mendes Pinto na Peregrinação conta a experiência de um tempo de mar, no oriente, feito de muitas descobertas e de muitas contradições. No romance de Júlio Verne, Vinte Mil Léguas Submarinas, em companhia do Capitão Nemo, podemos ler as melhores descrições da vida submarina, com peixes, mamíferos e moluscos, dos diversos oceanos e mares terrestres. Com Herman Melville, autor de Moby Dick, ficamos prisioneiros do mar com o capitão Ahab, que perdendo a sua alma, nos transporta para uma enorme tragédia, no baleeiro Essex.
Já no século XX, Fernando Pessoa, usa a temática do mar nalgumas poesias. A obra Mensagem é uma epopeia lírica que, em especial n´O Mostrengo, nos apresenta simbolicamente os obstáculos, os perigos e os medos que os portugueses tiveram que enfrentar para realizar o seu sonho marítimo.
O mar e a sua fauna vivem esplendorosamente nas páginas de O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Aqui ficamos a saber que por muitas adversidades que nos possam aparecer no caminho, nunca devemos desistir.
O mar...

9 de agosto de 2014

Preparativos para a pesca


Já estou preparado para ir ao mar. Gastei uma tardes por inteiro. Montagens paternoster, com dois estralhos, para surfcasting.

Primeiro as madres, com fio 0,45mm. Começar com o engate e executar o nó trilene. Depois nó de oito, missanga, destorcedor, missanga e nó de oito. Mais ao fundo nó de oito, missanga, destorcedor, missanga e nó de oito. Por fim um destorcedor maior, com nó trilene, para ligar à chumbada.
Depois os estralhos com fio 0,35mm, de fluorcarboneto. Primeiro o superior. Começar com o nó snell, para unir o fio ao anzól. Missanga florescente, tubo florescente, missanga e nó de oito. Por fim ligar, com nó trilene, o estralho ao destorcedor da madre. Para ultimar a montagem executar o estralho inferior. Começar com o nó snell, para unir o fio ao anzól. Missanga, tubo florescente, missanga e nó de oito. Por fim ligar, com nó trilene, o estralho ao destorcedor da madre.
Com calma utilizar um enrolador, para manter a montagem devidamente acondicionada.
Fiz seis montagens completas e quatro estralhos suplementares. Devem chegar para uma primeira abordagem à pesca de surfcasting.

8 de agosto de 2014

Ordem

Organização. Tecer cada fio do dia, momentos de tempo e parcelas de espaço, até que nada reste para preencher. Um dia inteiro sem que caiba mais nada. Uma simples palavra. Estudar cada acção e cada conceito, prever qualquer interferência, e encerrar o risco de alteração. Tudo é controlado, mesmo a imaginação. Um fechamento. Qualquer escolha é inútil. A liberdade agrilhoada na preparação plena. Nada há a pensar. Tudo está decidido. Um terreno mental sem desvios. Concentração máxima no mesmo assunto.

7 de agosto de 2014

A excelência

“A excelência é uma arte aprendida com treino e repetição. Não agimos da forma correta por virtude ou primazia; adquirimos tais características ao agirmos corretamente. Somos o que fazemos repetidas vezes. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.”
Aristóteles

5 de agosto de 2014

Os trabalhos na vida

“Daqui por um lado tomem os homens motivo de não desanimarem com os trabalhos da vida para deixarem de fazer o que devem, porque não há nenhuns, por grandes que sejam, com que não possa a natureza humana, ajudada do favor divino, e por outro me ajudem a dar graças ao Senhor omnipotente por usar comigo da sua infinita misericórdia, apesar de todos os meus pecados, porque eu entendo que deles me nasceram todos os males que por mim passaram, e dela as forças e o ânimo para os poder passar e escapar deles com vida.” 
Fernão Mendes Pinto

4 de agosto de 2014

Ler

Numa rajada de vento, de duas horas, li "O velho e o mar", de Ernest Hemingway. É um texto admirável sobre a dignidade da pessoa e o respeito pelo mundo à nossa volta.

3 de agosto de 2014

Ler e praticar...


Já tinha pescado a bordo do Pequod, com o capitão Ahab, de Herman Melville. Andei "No coração do Mar", de Nathaniel Philbrick, salvando-me no limite da capacidade humana. Na "Odisseia", ouvi o canto das sereias, amarrado ao mastro principal. Por ordens de D. João II, corri até ao fim do mar e temi o mostrengo. Tenho "O velho e o mar", de Hemingway, na mesinha de cabeceira.
No entanto não estamos preparados para pesqueiros, estralhos, fios, carretos, surfcasting, montagem de madres, bóias, missangas, chumbadas, anzóis, rolamentos, nós, controlo de travagem, lançamentos, ponteira, carbono, passadores, starlight... E, e sobre os nomes dos peixes, falamos outro dia.