10 de agosto de 2014

O mar...

O mar...
O tema do mar sempre fez parte da literatura. Desde o início dos tempos, o mar é largamente cantado por poetas entre outros amantes da sabedoria. O mar é um símbolo universal, das águas primeiras, da génese de todas as coisas.
Segundo a Bíblia,  Deus criou o Céu e a Terra, em seguida, no primeiro dia separou a luz das trevas e no segundo dia afastou as águas das águas, formando as águas terrestres e as águas celestes. Na cosmogonia dos Vedas da tradição bramânica, o Caos aquático precedeu a Criação. Para os egípcios, Nun dormia como a água escura e parada. Ao acordar encontrou-se só, por isso criou a terra, sendo o Nilo o rio divino e a fonte da vida.
Os chamados "povos do mar", no século XV a.C., foram os predecessores dos povos gregos. As suas fábulas, parábolas, mitos e lendas estão pejadas de referências ao mar. Veja-se o mar sombrio de Homero, na Ilíada e na Odisseia.
O tempo passou e os registos escritos expandem-se. No Timeu e no Crítias, Platão trouxe ao mundo a história do continente perdido da Atlântida. Segundo a lenda da fundação de Lisboa, foi o herói Ulisses que, ao chegar ao porto na foz do Tejo, fundou Olisipo que, como sabemos, se tornou uma das cidades mais importantes da europa ocidental. Nas Mil e uma noites, um coletânea de fascinantes histórias da tradição oral, da cultura árabe, Sinbad, um dos seus heróis, viaja pelos mares sem fim, chegando mesmo a atracar no dorso de uma baleia gigante. Camões sofreu no próprio corpo as suas narrativas marítimas n´Os Lusíadas e Vasco da Gama vence dois oceanos de uma só vez: o Atlântico e o Índico. Fernão Mendes Pinto na Peregrinação conta a experiência de um tempo de mar, no oriente, feito de muitas descobertas e de muitas contradições. No romance de Júlio Verne, Vinte Mil Léguas Submarinas, em companhia do Capitão Nemo, podemos ler as melhores descrições da vida submarina, com peixes, mamíferos e moluscos, dos diversos oceanos e mares terrestres. Com Herman Melville, autor de Moby Dick, ficamos prisioneiros do mar com o capitão Ahab, que perdendo a sua alma, nos transporta para uma enorme tragédia, no baleeiro Essex.
Já no século XX, Fernando Pessoa, usa a temática do mar nalgumas poesias. A obra Mensagem é uma epopeia lírica que, em especial n´O Mostrengo, nos apresenta simbolicamente os obstáculos, os perigos e os medos que os portugueses tiveram que enfrentar para realizar o seu sonho marítimo.
O mar e a sua fauna vivem esplendorosamente nas páginas de O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Aqui ficamos a saber que por muitas adversidades que nos possam aparecer no caminho, nunca devemos desistir.
O mar...

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