5 de setembro de 2014

Linguagens


Conseguimos situar o papel da linguagem entre a explicação e a compreensão. Entre aquele que diz e aquele que ouve. Entre aquele que escreve e aquele que lê.
Quando a senhora Dier diz e o menino Robin ouve, esperamos um certo entendimento. Quando o Visconde de Valmont escreve à Marquesa de Merteuil, espera dela um total compromisso. Um puro jogo de abertura e ou de sedução.
Trazer à superfície o sentido das palavras. Da inteligibilidade à compreensão. Quando Toby Chandy e o seu ordenança Trim descrevem terrenos e máquinas de guerra, falam através de uma linguagem simples, para não ficarmos enterrados nas suas trincheiras. Quando Jonathan Swift nos faz a sua singela proposta para acabar com a pobreza, devemos ser homens sensatos e ponderar o que está em causa.
Neste sentido, não pode existir explicação, compreensão ou interpretação sem se pôr em jogo a totalidade da nossa estrutura existencial, mesmo que tenhamos a intenção de uma leitura puramente literal de um texto ou de um outro qualquer evento de linguagem. A pessoa é sempre posta em jogo.
Em suma: só somos seres de linguagem enquanto nos compreendemos uns aos outros.

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